Resenha: Dias Perfeitos – Raphael Montes

Sempre tive vontade de ler Dias Perfeitos, do autor brasileiro Raphael Montes. Já vi críticas positivas em vários blogs e canais, além de ler uma matéria com o autor no G1 e ficar impressionada em como ele é jovem e tão renomado como escritor de romance policial. Me surpreendi bastante, porque comecei o livro e não conseguia mais parar. É viciante, ousado e o tipo de história que eu gosto bastante de me envolver.

Resenha: Dias Perfeitos - Raphael Montes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Como eu sou bem ruim para fazer sinopses, coloco aqui um trechinho do resumo retirado do Skoob:

Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez.

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Esse é o tipo de livro que quando você começa, não quer mais parar. Eu li em praticamente três dias! O narrador é o próprio Téo, um psicopata confuso e assustador, que cria uma obsessão por Clarice que arrepia até a alma. Ele sente uma atração fortíssima pela garota, uma jovem estudante carioca de História da Arte e totalmente mente aberta: ela se opõe aos pais opressores e de classe média alta; gosta de festas, beber e fumar; sente atração por homens e mulheres; é popular, com muitos amigos; feminista e totalmente contra as regras conservadoras da sociedade. Enquanto Téo é misógino (acha que lugar de mulher é arrumando a casa e obedecendo às suas ordens) e obsessivo, levando Clarice ao extremo com atitudes ciumentas, possessivas, abusivas e, claro, violentas.

Durante a leitura, eu só sentia desespero, de tantos absurdos que Téo faz com Clarice. Ela tenta sempre se desvencilhar, enganá-lo, mas dificilmente consegue. Ao decorrer da história, só vemos uma Clarice destruída e um homem horroroso que consegue enganar TODOS ao seu redor com suas mentiras.

Raphael Montes faz várias citações de outros autores e artistas brasileiros, o que achei bem interessante. Inclusive, um dos presentes de Téo para Clarice é um livro de contos da Clarice Lispector. Quem também marca presença na narrativa é Caetano Veloso, que conta um pedacinho da história com sua música. Gostei também da ambientação da narrativa: o autor mostra um Rio de Janeiro real, sem aqueles clichês novelescos.

Resenha: Dias Perfeitos - Raphael Montes

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

O livro é muito bom, a narração é fluida, os personagens bem construídos, mas encontrei alguns problemas. Certas situações são um pouco clichês (não quero citar para dar spoiler, mas em alguns momentos eu pensava ‘jura?‘) e o final não traz uma boa catarse, pelo contrário, é frustrante. Não sei qual foi a intenção do autor aqui, mas achei a “solução” para o final um pouco preguiçosa. Sem contar que a investigação policial, de fato, é quase nula.

Eu diria que Dias Perfeitos não é tanto um romance policial, mas uma história sobre loucura e paixão intensa, além de abusos psicológicos e violentos, contados pelo ponto de vista de um psicopata inteligente e vaidoso. Vale muito a pena, principalmente para valorizar um autor brasileiro que, diga-se de passagem, é um prodígio. Ele escreveu esse livro com VINTE E TRÊS ANOS – e já foi reconhecido por autores internacionais.

Se você procura uma leitura intensa e rápida, Dias Perfeitos é uma boa alternativa 😉

Resenha: Dias Perfeitos - Raphael MontesTítulo original: Dias Perfeitos
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 280
Ano: 2014
Gênero: Suspense/Policial/Nacional
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


Escrito por:

Isabela Zamboni



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