Resenhas  |  12.12.2020

Resenha: A Filha Perdida – Elena Ferrante

Como sempre, as histórias de Elena Ferrante me transportaram para um outro universo, com verdades dolorosas e sentimentos profundos. Assim como na tetralogia napolitana, em A Filha Perdida entramos em contato com um romance arrebatador, sobre mulheres que buscam o seu melhor para conseguir lidar com as expectativas e frustrações da vida.

Resenha: A Filha Perdida - Elena Ferrante

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Leia a sinopse:

“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas.

Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca.

Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.

No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres.

Acompanhamos a história de Leda, uma mãe cansada que tirou um período de férias no litoral do sul da Itália. Enquanto aproveita os dias de sol, ela começa a observar uma família de napolitanos que chama bastante atenção e, aos poucos, cria uma relação com a jovem Nina, mãe da pequena Elena, uma garotinha muito apegada à sua boneca.

Conforme os dias passam, Leda se envolve cada vez mais com os membros da família e começa a traçar paralelos com sua própria vida: relembra a infância de suas duas filhas, seu casamento, sua carreira como professora e pesquisadora. Após a metade do livro, conta sobre um período complicado em que se afastou da família e tomou decisões que moldariam toda sua trajetória.

Acredito que para muitas pessoas, a personagem deve ser uma pessoa ruim e egoísta, mas eu a achei incrivelmente sincera. Temos costume de achar que a maternidade é incrível, que não existem percalços, somente um sentimento mágico e poderoso que aniquila qualquer outro tipo de desejo. O que Elena Ferrante faz em A Filha Perdida é mostrar o lado humano de uma mulher que se sentia esgotada e reprimida. Não é fácil administrar uma família, um trabalho e um relacionamento com tantas pessoas julgando suas habilidades como mãe e mulher.

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Ao mesmo tempo, Leda relembra sua dura infância com a mãe e avó em Nápoles (lembrei bastante de A Amiga Genial) e de como sua partida deixou feridas abertas. Enquanto a personagem conta sobre o passado de suas jovens filhas que foram morar com o pai no Canadá, também tenta se aproximar de Nina, lembrando de si mesma quando era jovem e inocente.

Não vou contar mais para não estragar a história, mas Leda toma uma atitude bizarra que vai permear toda a história. Criando um clima de tensão e melancolia, Elena Ferrante nos transporta para um mar de sentimentos, que vão desde o remorso, a solidão e a tristeza até o alívio e a sensação de liberdade.

Resenha: A Filha Perdida - Elena Ferrante

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

É um livro que não dá vontade de parar de ler. Em praticamente dois dias li tudo de uma vez! Queria entender o que Leda pretendia, qual era o seu passado, seus segredos e por qual motivo agia daquela forma na praia com a família napolitana. Enquanto isso, achei ousado (assim como em Maternidade, de Sheila Heti) trazer um ponto de vista tão diferente sobre ser mãe. Como não tenho filhos, não posso dizer que me identifiquei, mas acredito que muitas das angústias compartilhadas pela protagonista fazem parte do dia a dia de inúmeras mulheres – mas poucas tem coragem de admitir.

Eu adoro o estilo literário de Ferrante e recomendo A Filha Perdida principalmente para quem ainda não conhece as obras da autora. Envolvente e audacioso, precisamos de mais histórias sinceras e menos romances idealizados.

NOTA:

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2 Comentários “Resenha: A Filha Perdida – Elena Ferrante”
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  1. Ray Cunha      18 dez 2020 // 05H59

    Olá Isabela,
    Adorei ler sua resenha, conhecer mais do livro. Morro de vontade de ler algum livro da autora e, sabe-se lá porque, ainda não li nada. Ler resenhas me dão animo para tomar vergonha na cara e pegar.

    Beijo!
    http://www.amorpelaspaginas.com

    • Isabela Zamboni      30 dez 2020 // 04H52

      Oi Ray! Leia sim, você vai adorar! Os livros dela são ótimos <3
      Beijos