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Entrevista: Tomás Susin, um dos fundadores da “TAG: Experiências Literárias”

Você já ouviu falar na “TAG – Experiências Literárias”? Desde que fiquei sabendo desse clube de assinaturas de livros fiquei encantada na hora! A proposta é muito bacana: pagando um certo valor ao mês, você recebe um livro surpresa, que foi escolhido por algum autor ou pessoa influente no ramo literário. E o mais legal é que esse livro vem em embalagens fofas e com brindes junto!

Depois de conhecer a TAG, fiquei com muita vontade de entrevistar um dos fundadores do projeto e o Tomás Susin me respondeu contando um pouquinho mais sobre o clube de assinaturas. O nosso bate-papo você confere abaixo:

Resenhas: Como surgiu a ideia do TAG – Experiências Literárias? Quem foram os fundadores do projeto?

Foram três fundadores, eu (Tomás), o Gustavo e o Arthur. Nos conhecemos na faculdade e sempre tivemos a vontade de criar algo juntos. Na época, em 2013, os clubes de assinatura estavam surgindo, e nós resolvemos unir a vontade de empreender com a paixão pelos livros.

Entrevista: Tomás Susin, um dos fundadores da "TAG: Experiências Literárias"

Gustavo Lembert, Arthur Dambros e Tomás Susin  (Foto: Arquivo pessoal)

Resenhas: Vocês têm a proposta de convidar curadores para escolher os livros que serão enviados. Como vocês escolhem esses curadores? Como funciona essa parceria?

Escolhemos pessoas que sejam referência no cenário cultural, e que possuam “bagagem” literária para indicar ótimos livros. Entramos em contato com eles para conversar sobre livros que os marcaram e, a partir da conversa, uma obra é selecionada para ser enviada aos nossos associados.

Resenhas: O livro do mês é escolhido pelo curador, certo? Como funciona essa escolha? O curador tem total liberdade ou vocês sugerem obras também?

Os curadores tem total liberdade para indicar os livros. Normalmente, conversamos com eles sobre vários livros, até chegar ao melhor título a ser enviado aos membros do clube.

Entrevista: Tomás Susin, um dos fundadores da "TAG: Experiências Literárias"

Reprodução/Facebook TAG

Resenhas: Para vocês, qual é o maior diferencial da TAG? Qual é a proposta principal do projeto?

A TAG é um clube que encanta as pessoas. Grande parte dos nossos associados é simplesmente fã da TAG, e se apaixona ainda mais a cada caixinha que chega. Eles recebem livros que nunca comprariam, encontram novos universos de leitura, e acabam gostando de estilos literários que nunca imaginaram antes. Na TAG, os leitores encontram um grupo de outros 6 mil apaixonados por livros, compartilhando esse interesse em comum.

As pessoas se encantam com o cuidado e o carinho com que são pensados os kits e todos os outros detalhes que compõem o clube: nosso canal do Youtube, nossa página do Facebook, o grupo exclusivo para associados, e muitas outras novidades que estão por vir, ainda este ano.

Entrevista: Tomás Susin, um dos fundadores da "TAG: Experiências Literárias"

Reprodução/Facebook TAG

Resenhas: Vocês acreditam que o TAG pode estimular a leitura?

Com certeza. No clube, temos associados que já eram leitores assíduos e outros que são incentivados a alimentar o hábito da leitura com os kits enviados pela TAG.

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Escrito por:

Isabela Zamboni


Resenha: Sentimento do Mundo – Carlos Drummond de Andrade

Sentimento do Mundo é um livro fantástico. Escrito por Drummond, em 1940, essa coletânea de poemas incríveis demonstra a sutileza e a maestria do autor, com palavras firmes, tocantes e avassaladoras.

Apesar de ser bem curtinho, com menos de 100 páginas, não é um livro para ser devorado, mas para ler aos poucos. Na obra, Drummond expõe a saudade de Itabira, sua cidade natal, e homenageia Rio de Janeiro, cidade onde passou boa parte de sua vida.

O mais interessante é notar como poemas de 1940 ainda se encaixam ao contexto atual. Muitas vezes, parando para ler com calma as estrofes, ficava maravilhada. O autor consegue, sem dúvidas, ser atemporal.

Resenha: Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de Andrade

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Nos versos de Drummond, conhecemos suas angústias, seus sentimentos mais honestos e a percepção de um Brasil que passava por uma situação delicadíssima na política – o Estado Novo de Getúlio Vargas. Além disso, o fascismo e o nazismo cresciam de forma assustadora na Europa (não muito diferente do que estamos vendo hoje sendo “propagado” nas redes sociais…).

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Alguns poemas doem tanto que dá vontade de chorar. Eu sou chorona e me emociono fácil com palavras (como comentei na resenha de A Ignorância, do Kundera), mas na atual situação do Brasil, é difícil conter as emoções. Em Sentimento do Mundo, meus poemas favoritos são “Bolero de Ravel”, “O Operário no Mar”, “Os Ombros Suportam o Mundo”, “Elegia 1938” e “Poema da Necessidade”.

A alma cativa e obcecada
enrola-se infinitamente numa espiral de desejo
e melancolia.
Infinita, infinitamente… (p.43)

Um dos trechos que achei mais incríveis, no poema “Elegia 1938”:

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
[…]
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras. (p.67)

Ao final do livro, a edição da Companhia das Letras traz uma minibiografia do autor e a cronologia da vida do autor, destacando suas obras mais importantes. Drummond trabalhou mais de 60 anos como jornalista e realizou tantos trabalhos incríveis que não é à toa sua importância para a literatura brasileira e mundial. Cronista, poeta e romancista, Drummond é um gênio e seus livros deveriam estar na estante de todos – não somente dos vestibulandos.

Resenha: Sentimento do Mundo - Carlos Drummond de AndradeTítulo original: Sentimento do Mundo
Autor: Carlos Drummond de Andrade
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 96
Ano: 2012
Gênero: Poesia
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Dia de folga – John Boyne

Dia de folga foi minha primeira experiência completa no Kindle. Digo completa, pois comecei um livro de Shakespeare no dispositivo, mas ainda não terminei.

Resenha: Dia de folga - John Boyne

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Dia de folga é um conto escrito por John Boyne que foi disponibilizado gratuitamente para plataformas digitais (baixe aqui). Em poucas páginas, acompanhamos um dia de folga do soldado Hawke, que nos transporta diretamente para o ambiente da Primeira Guerra Mundial.

“Ei, Hawke”, disse Delaney, o garoto irlandês que todo mundo chamava de Charlie Chaplin por causa da semelhança. “O que você pediu para o Papai Noel esse ano?”. “Uma noite de sono”, disse Hawke. “Eu tive uma dessas algumas semanas atrás. Mas não adiantou muita coisa. Eu continuava me sentindo morto quando acordei.

No conto, o autor não aprofunda nenhuma característica física ou psicológica do soldado. Inclusive, seus pensamentos são, em grande parte, bastante desconexos. É Natal, e Hawke vaga pelo acampamento em busca de algo para fazer. É interessante perceber como o autor consegue traçar um paralelo entre a vida de um soldado e de todas as pessoas que se sentem “engolidas pela rotina”.

“Esse era o problema dos dias de folga. Eles eram tão raros, e você esperava tanto por eles, mas quando eles chegavam, seu corpo estava tão acostumado a se mover constantemente que era quase impossível relaxar”.

Como a própria sinopse aponta, enquanto relembra os natais da infância e o conforto do seu lar, Hawke vê e ouve as bombas alemãs caindo à sua volta. Em meio a um dos piores conflitos do século XX, o jovem irá vivenciar um espírito natalino muito diferente do que estava acostumado.

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“Na Inglaterra era véspera de Natal. Talvez fosse véspera de Natal aqui também, era difícil saber”.

Vale ressaltar que em Dia de folga, Boyne não utiliza sua “voz infantil”, tão famosa e presente em outros livros, como: O menino do pijama listrado e Tormento. Porém, a temática favorita do autor – guerra – está presente, e dificilmente será esgotada.

PS: para quem já leu outros livros do autor, em Dia de Folga, é possível relembrar alguns personagens de outras histórias!

Resenha: Dia de folga - John BoyneTítulo original: Rest Day
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 8
Ano: 2014
Gênero: Conto
Nota: EstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: A Mansão Hollow – Agatha Christie

Mais um livro de Agatha Christie que me deixou pilhada! Aliás, qual livro da autora não empolga? Dificilmente alguma obra de Agatha não nos deixa querendo ler rapidinho e descobrir logo quem será o assassino da história. Em A Mansão Hollow isso não é diferente: terminei esse livro de quase 300 páginas em dois dias!

Resenha: A Mansão Hollow - Agatha Christie

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Fazendo um breve resumo do enredo, o detetive Hercule Poirot é convidado para um almoço na Mansão Hollow, onde membros da família Angkatell  e convidados se reúnem de vez em quando para um fim de semana tranquilo. Porém, ao chegar no local, o detetive se depara com um crime – o corpo de um homem agonizando na beira da piscina, uma mulher logo ao lado segurando um revólver, e ainda três testemunhas.

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Claro que, assim como todos os romances de Agatha, conhecemos pouco a pouco cada um dos personagens envolvidos no crime e, lentamente, fazemos nossas suposições de como o homicídio aconteceu, por quem, e o porquê. O mais interessante é conhecer a mente de cada um e tentar compreender os motivos pelos quais o criminoso queria eliminar a vítima. Como sempre, o personagem mais interessante é o próprio Poirot, com sua ironia e cinismo: pouco fala, mas sabe muito.

Resenha: A Mansão Hollow - Agatha Christie

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Porém, apesar de superdivertido, não é um dos melhores da autora. Adivinhei logo de início quem seria o culpado e o livro carece de “carisma”. Apesar de bom, faltou algo mais marcante para deixar a leitura mais atrativa. Se você não conhece o estilo da autora ou então busca algo arrebatador, não é o caso de A Mansão Hollow. É um bom passatempo, mas nada muito além disso. Três estrelinhas :)

Resenha: A Mansão Hollow - Agatha ChristieTítulo original: The Hollow
Autor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 256
Ano: 2014
Gênero: Romance Policial
NotaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Esperando Godot – Samuel Beckett

Quando comprei Esperando Godot na loja virtual da Cosac Naify, tudo o que eu sabia era que essa obra de Beckett é conhecida mundialmente, tornou-se um marco para o teatro e havia quebrado várias regras. Confesso que no começo fiquei com aquele ~medinho~ bobo de achar a leitura muito difícil (como ler o Macbeth, do Shakespeare, que foi bem complicado) mas quando comecei, foi num embalo só.

Resenha: Esperando Godot - Samuel Beckett

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

A peça foi escrita originalmente em francês e estreou em 1953. A importância de Esperando Godot é tão grande que se tornou um divisor de águas no teatro do século XX. E a história é bem simples: dois “vagabundos” aguardam infinitamente, num descampado, a vinda do senhor Godot, que nunca aparece. É basicamente isso.

Mas, então, o que tem de tão genial e arrasador na peça? Em 1953 – uma época em que o teatro oferecia sequências lógicas, com começo-meio-e-fim, técnicas de atuação e composição específicas – Beckett chegou para distorcer e renovar a forma de fazer teatro. Esperando Godot tenta ridicularizar nossa vida cotidiana para mostrar o absurdo de nossa existência em um mundo completamente caótico.

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Durante toda a peça, os personagens principais aguardam “Godot”, que nunca aparece. O tema principal da peça é a espera, aquilo que nunca chega, o tempo paralisado. Os personagens principais tentam de várias formas fazer com que o tempo passe, seja com conversas fiadas, palhaçadas e “tiques” bizarros, como brincar o tempo todo com seus chapéus. Ler a peça é uma experiência, mas acredito que assistir é outra bem diferente. Atuação, cenário, luz e os outros elementos que compõem uma peça de teatro transformam qualquer texto escrito.

Resenha: Esperando Godot - Samuel Beckett

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Nesta edição da Cosac Naify, ao final, há uma compilação de resenhas e explicações de críticos e estudiosos da literatura e do teatro. Cada texto aponta uma perspectiva da peça, que, para cada pessoa, representa algo novo. Ao romper as barreiras da linearidade e da lógica, Beckett ironiza a vida do “homem comum” e ao mesmo tempo oferece uma grande sutileza nos diálogos. Não é uma peça difícil de ler em questões de vocabulário – como Shakespeare – mas oferece múltiplas interpretações. Dificilmente alguém consegue definir essa obra tão complexa e, ao mesmo tempo, simples.

Como definir Esperando Godot? Menos é mais. Leia, releia, reflita, analise. Não se atente às regras, apenas coloque-se no lugar dos personagens, pense no seu cotidiano e nas pessoas ao redor. Acredito que essa é a forma mais “fácil” de definir essa obra tão original.

Resenha: Esperando Godot - Samuel BeckettTítulo original: En attendant Godot
Autor: Samuel Beckett
Editora: Cosac Naify
Número de páginas: 192
Ano: 2014
Gênero: Teatro
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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