Resenha: Quem Matou meu Pai – Édouard Louis

*Última atualização: 11 de julho de 2026

Eu não conhecia o autor Édouard Louis, mas um amigo me emprestou dois livros dele: Quem Matou meu Pai e Lutas e Metamorfoses de uma Mulher (farei resenha deste em breve). São livros bem curtos e diretos ao ponto, que me lembraram bastante as obras de Annie Ernaux. Por serem ambos franceses, há uma grande proximidade de estilo, mas, ainda assim, achei que Louis conseguiu trazer originalidade e uma voz própria à narrativa.

Antes de começar, veja a sinopse do livro:

Uma investigação familiar que mescla manifesto político e crítica social. “Não tenho medo de me repetir, porque o que escrevo, o que eu digo, não atende às exigências da literatura, mas às da necessidade e da urgência, às do fogo”, é o que diz o autor a certa altura. Esse é o tom de manifesto inadiável que percorre a narrativa e se faz sentir na figura do pai doente e moribundo, que Louis visita para prestar ajuda, mas, acima de tudo, em busca de reconciliação. As lembranças dos tempos em que a família vivia na pequena cidade de interior, marcadas pela frieza do pai homofóbico e autoritário, aos poucos vão se transformando em acusações à classe política, numa crítica direta às formas de opressão, à imobilidade e à desigualdade social.

São 72 páginas em que Édouard Louis traça um breve retrato da vida de seu pai e dos conflitos que viveram juntos. Basicamente, acompanhamos um livro de memórias que retrata a trajetória de um homem frio, homofóbico e amargo, marcado por situações extremamente difíceis ao longo da vida, que o transformaram em uma pessoa difícil de conviver.

Resenha: Quem Matou meu Pai - Édouard Louis
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Achei interessante que, embora o narrador não demonstre apego ao pai e muito pouco à própria família, já que era destratado desde cedo, ele consegue apresentar os principais motivos que levaram o pai a sofrer tanto ao longo da vida.

Na parte final do livro, Édouard passa a discorrer sobre política, fazendo críticas ferozes a governantes e a figuras públicas específicas que, segundo ele, trataram os trabalhadores franceses de maneira inescrupulosa.

A desigualdade social, as diferentes formas de opressão e a falta de oportunidades na França levaram parte da classe trabalhadora a enfrentar períodos extremamente difíceis, com pouquíssima assistência. Ao longo da obra, o autor escancara a realidade de seu pai: uma pessoa fria e distante, mas que precisou suportar inúmeras dificuldades apenas para sobreviver e tentar sustentar a família.

Apesar de tratar o pai com uma nítida aspereza durante grande parte da narrativa, ao final Louis acaba “fazendo as pazes” com ele, quase como uma forma de libertação.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

Comprar livro

Quem Matou meu Pai não é um livro complexo nem recheado de reviravoltas, mas uma narrativa que evoca memórias, descrições e reflexões políticas. Nesse aspecto, Louis demonstra uma voz própria, oferecendo uma leitura simples, mas carregada de significado.

Acredito que seja uma boa porta de entrada para conhecer um jovem autor contemporâneo que conseguiu construir uma perspectiva muito particular sobre a política francesa e suas consequências para a classe trabalhadora.

NOTA: ⭐⭐⭐

banner classicos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima