Resenha

Resenha: Aokigahara – André Turtelli e Renato Quirino

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Quando peguei a HQ Aokigahara na mão, já me impressionei! Sem saber o que iria encontrar no miolo, fiquei hipnotizada pelo estilo do quadrinista Renato Quirino e admirada com os mínimos detalhes dos traços. Já percebi que seria o tipo de história que eu iria gostar, apesar de quase nunca ter lido quadrinhos na minha vida.

Aliás, fazer essa resenha não é uma tarefa fácil pra mim: meu repertório é mínimo em relação a HQs, portanto, me perdoem se usar algum termo ou palavra errada. Mas não é porque não conheço muitas obras que não posso admirar uma que gostei bastante, não é verdade?

Aokigahara me deu a impressão de ser um conto. São poucas páginas, li bem rapidinho e acredito que a intenção dos autores era essa: mostrar uma história sensível, poética, mas sem aprofundar demais no tema ou nos personagens. É aquele tipo de história que passa voando – traz uma mensagem rápida – mas que cria marcas profundas.

Resenha Aokigahara - André Turtelli e Renato Quirino
FOTO: Divulgação / André Turtelli e Renato Quirino

Não vou detalhar a trama, já que o final é uma surpresa e pode estragar a experiência de outros leitores. Mas o que posso dizer é: você vai acompanhar a trajetória de dois personagens que vão para a triste floresta de Aokigahara, no Japão, conhecida como a Floresta dos Suicidas. Como é uma floresta muito densa, com pouco vento e quase nada de vida selvagem, o local é bastante silencioso. Em média, são encontrados 100 corpos (!!!) ao ano por lá, inclusive esqueletos mais antigos. Triste, né? Existem diversos documentários e filmes sobre essa floresta. Melancólico, mas também interessante para entender porque tantas pessoas tiram a própria vida naquele lugar.

Gostei bastante da temática da HQ e achei muito importante falar sobre suicídio, que, por ser um tema muito delicado, ainda é considerado um tabu em muitas culturas. Também adorei como os autores nos fazem sentir a dor dos personagens, ainda que conhecendo-os tão pouco.

O que posso dizer de Aokigahara? É sensível, gentil, mas ao mesmo tempo, toca na ferida. Muito bom mesmo! Isso sem falar na arte em si, que é incrivelmente detalhada e feita com o maior cuidado possível.

Acho que vou começar a ler mais quadrinhos.

PS: A Mel fez uma entrevista com os autores André Turtelli e o Renato Quirino. Confira aqui!

LEIA TAMBÉM

Capa HQ Aokigahara

Título original: Aokigahara
Autor: André Turtelli e Renato Quirino
Editora:
Número de páginas: 32
Ano: 2015
Gênero: HQ
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela

Resenha

Resenha: Paperboy – Pete Dexter

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Quando li a sinopse desse livro, Paperboy, algo me chamou a atenção. Quando compararam-no com A Sangue Frio, do Capote, fiquei ainda mais interessada. O gênero policial, misturado com o fato de que o livro retrata um pouco do universo jornalístico da década de 60, foi um grande diferencial para me interessar pela leitura.

Paperboy conta a história dos irmãos Jack e Ward James, que investigam o caso do assassinato de um xerife local por Hillary Van Wetter, condenado à pena de morte. Depois de receber uma carta de uma mulher chamada Charlotte Bless, que afirmava a inocência de Hillary, Ward James, jornalista em ascensão, ao lado do parceiro Yardley Acheman, resolve investigar se Van Wetter foi realmente o culpado pelo crime.

A trama se passa no sul dos Estados Unidos no final dos anos 60, período conturbado e cheio de transformações sociais. Jack, de apenas 20 anos, largou a universidade e voltou para casa para trabalhar como motorista do caminhão na empresa do pai. Percebemos toda a história pelo seu ponto de vista.

Para comprar o livro, é só clicar no link abaixo:

Vi muita gente reclamando da falta de capítulos, mas isso na verdade não incomoda. A leitura flui, o texto é gostoso de ler e a linguagem é pouco rebuscada. Por mais de 200 páginas, ficamos envolvidos em uma narrativa tensa, misteriosa e com personagens bem construídos.

Charlotte é uma personalidade única e envolvente, uma mulher “mais velha” que se sente atraída por homens na prisão, sempre tão longe e intocáveis. Yardley é um jornalista arrogante e prepotente, buscando a todo custo a fama e o sucesso, pouco se importando com a ética jornalística. W.W. James, o pai dos irmãos protagonistas, é um velho jornalista cansado que sente falta da ex-mulher e tenta, a todo custo, continuar com a boa reputação de seu jornal local. Jack, o principal, é um menino confuso e tranquilo, sempre tentando ajudar o irmão Ward, um homem misterioso, quieto e com uma inteligência e perseverança fora do comum.

A narrativa é densa e parte do real para o surreal. Alguns personagens da família Van Wetter são bizarros e perturbadores, trazendo algumas pitadas de emoção para a história. Algumas temáticas que estavam em voga na década de 60 também são introduzidas sutilmente, como o preconceito racial, a discriminação contra os homossexuais, a liberdade de expressão, a libertação sexual, entre outras.

Resenha: Paperboy
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Outro ponto que me agradou muito foram as descrições de personagens, principalmente pelos sentidos de Jack, principalmente o olfato. Dava para sentir o cheiro das pessoas, imaginar sua aparência e até sentir o gosto da cerveja quente e insossa dos dias de muito calor (e tristeza) vividos pelo personagem. É tudo muito sensitivo: conseguimos entrar na pele do jovem nadador que largou a universidade e ainda se incomodar, tanto quanto ele, com tantas situações inesperadas e reviravoltas da investigação.

A única coisa que me incomodou foi o final: muito triste, pouco original. Mas nada que tire o mérito do resto do livro.

*Obs: Assisti ao filme também. Nem tenho vontade de comentar, porque foi tão ruim e com um roteiro tão falho que nem é possível comparar.

*Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

LEIA TAMBÉM

Resenha: Paperboy- Pete Dexter

Título original: Paperboy
Autor: Pete Dexter
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 336
Ano: 2013
Gênero: Romance policial
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia

Resenha

Resenha: Os Assassinos do Cartão-Postal – James Patterson e Liza Marklund

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Em 2014 tive o prazer de conferir a Bienal do Livro em SP e, aproveitando que estava lá a trabalho, passei em alguns estandes para comprar livros. Em um deles, mais especificamente da editora Arqueiro, encontrei um livro por R$9,90. Na capa, dizia que o escritor era o “o autor de mistério e suspense mais famoso do mundo”. Achei no mínimo curioso e, como o preço estava bacana, resolvi comprar Assassinos do Cartão-Postal, de James Patterson e Liza Marklund.

Pesquisei no Google e descobri que o James Patterson é realmente muito famoso. Sempre em primeiro na lista dos best-sellers nova-iorquinos, seus livros já viraram filmes (um deles com Morgan Freeman no papel principal) e, inclusive, além de suspense, ele também escreve fantasia para o público infanto-juvenil. 

Antes de começar o livro Os Assassinos do Cartão-Postal , imaginei que fosse algo bem bobinho. Mas é um bom suspense, com personagens carismáticos e uma trama envolvente. A história é sobre o detetive norte-americano Jacob Kanon, que está na Europa para investigar o assassinato de sua filha Kimmy. Na verdade, Kimmy é apenas uma peça de um doentio quebra-cabeças. Em toda a Europa, jovens casais são encontrados mortos com a garganta cortada. Os assassinatos não parecem ter qualquer conexão, além de cartões-postais enviados para os jornais locais dias antes da descoberta de cada crime. Na tentativa de salvar as próximas vítimas, Jacob vai se unir à jornalista Dessie Larsson, que acaba de receber um cartão-postal em Estocolmo. (Fonte: Arqueiro)

Apesar de ser uma boa história, infelizmente ela cai no velho clichê. Suécia, jornalista, policial, serial killers… já existe um milhão de outras tramas iguais a essa. Envolver obras de arte na trama também é bem comum (vide Dan Brown) e nada original. O final também é previsível, deixando aquele “ok, é só isso?” depois que acaba.

Com 300 páginas, Os Assassinos do Cartão-Postal poderia ser condensado em 200, já que boa parte é enrolação. Os personagens são bacanas, mas é aquele tipo de livro já escrito para virar filme. A linguagem é simples, o ritmo é bom, mas só consigo imaginar aquilo como um roteiro. Entendo o sucesso que Patterson faz, porque o jeito que ele escreve envolve o leitor na história, o que é um ponto muito positivo. Mas, de qualquer forma, não acrescenta nada de novo: faltou uma trama mais difícil de desenrolar, uma teia mais complexa e minuciosa.

Outra coisa que me incomodou foram os assassinos: suas motivações são fracas e mal explicadas. A personalidade dos dois também foi pouco trabalhada; apesar de o autor ter criado uma explicação para a loucura dos dois, é ligeiramente forçado e não convence. Faltou um desenvolvimento melhor de personagem, principalmente quando se trata dos assassinos da história.

Indico a leitura para quem, como eu, é fissurado em suspenses. Mas, o problema de quem é viciado nesse gênero é justamente esse: o vício nos faz adivinhar tudo, então dificilmente uma história será inesperada e intrigante.

Obs: comprei o livro físico na Bienal, mas acabei trocando por outro no sebo… por isso a foto do Kindle!

Resenha: Os Assassinos do Cartão-Postal

 

Título original: The Postcard Killers
Autor: James Patterson e Liza Marklund
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
Ano: 2014
Gênero: Policial
Nota1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia

Curiosidades

TBR Book Jar – o que é e por que aderir

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Muitos blogueiros utilizam a expressão TBR Book Jar “referindo-se a um pequeno jarro repleto de papéizinhos. Esse costume já existe faz algum tempo, mas só conheci agora. Pra quem não sabe, TBR significa “to be read“, ou seja, “para ser lido”. E “book jar” nada mais é do que “jarro de livros”.

Daí você me pergunta: “mas pra que serve isso?”, e eis que a resposta é supersimples: é só um meio de você se controlar e não gastar seu salário inteiro em livrarias. É normal se empolgar com livros e acabar comprando mais do que é possível ler. E a TBR Book Jar é pra ajudar justamente nisso: você coloca em vários papeizinhos todos os livros que você tem e ainda não leu. Depois, é só sortear e começar a ler um por um os livros “esquecidos” da sua estante. Em vez de comprar sem parar, é hora de começar a ler todas as obras que você já tem. Assim você economiza dinheiro e ainda relembra o porquê de ter comprado aquele livro.

TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

decoração da estante ou do seu quarto mais bonita 🙂

TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Eu escolhi para a minha TBR Jar (que ainda está incompleta) um copo que eu tinha aqui em casa do Starbucks. Como o copo é transparente, fica legal colocar papéis coloridos dentro.

TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Na internet também encontrei algumas inspirações de TBR Book Jar:

TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
O TBR Jar da Priscila Guerra, do blog Stuck on Them
TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
TBR da Nat, do blog Mi Libreto Rosa
TBR BOOK JAR – O QUE É E POR QUE ADERIR
TBR Book Jar da Gabriela Cubayachi, do blog e aí beleza

 

E aí, curtiu a ideia da TBR Book Jar? Conta pra gente nos comentários!

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Resenha

Resenha: Morte na Mesopotâmia – Agatha Christie

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Depois de viciar na série Sherlock, da BBC, me deu saudade de ler Agatha Christie. Já havia lido alguns livros da autora na adolescência, mas não lembrava direito de seu estilo. Peguei então Morte na Mesopotâmia, um dos títulos que eu lembro ser um dos mais conhecidos. Não me arrependi, pois a história é muito empolgante e divertida de ler.

O livro é mais um dos casos de Hercule Poirot, o detetive belga tão icônico que aparece em boa parte das obras da autora. Na história, a enfermeira Amy Leatheran narra sua experiência com a paciente Louise Leidner, uma mulher que sofria de angústia nervosa e era casada com o famoso arqueólogo Eric Leidner. A trama se passa em uma cidade árabe, durante uma escavação comandada por Leidner e sua equipe. Durante a história, ficamos tensos o tempo inteiro, querendo saber porque Louise sofria tantas paranoias e angústias e por qual motivo o clima entre as pessoas da escavação estava tão estranho.

Depois que um dos membros da equipe da escavação é brutalmente assassinado, é hora de Poirot entrar em cena e tentar descobrir quem teria motivos para realizar tal façanha, além de tentar explicar por que aquelas pessoas viviam em um clima tão pesado.

Para comprar Morte na Mesopotâmia, é só clicar no link abaixo:

Morte na Mesopotâmia é aquela típica história de detetives que fascina e encanta. Um grupo de pessoas. Todas agindo de forma esquisita. De repente, um assassinato cometido por um deles e ninguém sabe como reagir. Um detetive entra em cena para tirar todo mundo do sério fazendo perguntas indiscretas. Análises minuciosas de cada detalhe do dia do assassinato, a fim de montar o quebra-cabeça. Ou seja: a narrativa perfeita para quem, como eu, é fascinado por solucionar mistérios.

Quem lê bastante Agatha Christie, geralmente adivinha rápido quem é o verdadeiro assassino. Sempre há o misdirection, isto é, a autora faz você odiar um personagem para desconfiar dele, mas com certeza está tirando o seu foco do verdadeiro assassino, geralmente aquela pessoa que todo mundo descarta logo de primeira. Nesse livro, me deixei levar e nem tentei adivinhar nada. Quis embarcar na jornada de Poirot e apenas admirar o personagem como um detetive muito astuto e divertido.

Resenha: Morte da Mesopotâmia - Agatha Christie
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Outro ponto positivo é conferir a história pelos olhos da enfermeira, alguém que chegou de fora da expedição e relata com detalhes tudo o que viu durante o tempo que passou ali. Amy Leatheran é uma mulher muito íntegra, correta, mas por vezes ingênua. Não conseguia ver o que estava diante de seus olhos e confiava bastante na bondade do ser humano. É divertido ver como ela ajuda Poirot no caso, que sempre a deixa bastante intrigada.

Por ser tipicamente britânico, também é divertido ver como os personagens são extremamente polidos e educados. Todos se preocupam demais com tentar parecer uma boa pessoa e despejar moralismo. Portanto, todo mundo que sai um pouco da linha ou age com sinceridade, aos olhos da enfermeira, é um indivíduo rude e grosseiro. A narradora vive fazendo comentários do tipo “ela não é uma dama”, ou “fulano deveria agir com mais respeito”. Parece que pessoas muito espontâneas incomodam de verdade a enfermeira.

Enfim, se você procura uma narrativa animada, fluente e com personagens ótimos, Morte na Mesopotâmia é o livro pra você. Só tente não adivinhar tão cedo quem é o assassino, senão perde toda a graça.

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Capa do livro Morte na Mesopotâmia

Título original: Murder in Mesopotamia
Autor: Agatha Christie
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 220
Ano: 2014
Gênero: Ficção/Policial
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia