Resenha

Resenha: O Amor é um Cão dos Diabos – Charles Bukowski

Resenha: O amor é um cão dos diabos - Charles Bukowski
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Para mim, algo muito importante na poesia é a identificação. E simplesmente não rolou entre Bukowski e eu. Entendo e respeito a importância do autor para a poesia, mas não necessariamente preciso gostar. Alguns dos temas recorrentes em seus livros e poemas, são: bebidas e mulheres. Basicamente, o autor era um velho fodido que escrevia de uma forma crua e visceral sobre suas experiências. Portanto, os poemas de O Amor é um Cão dos Diabos são extremamente pessoais.

Resenha: O amor é um cão dos diabos - Charles Bukowski
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Algo que me deixou inquieta é a forma com que o autor “entende” o amor. Durante sua vida, são diversas mulheres que vêm e vão, e o autor disseca seus sentimentos através das palavras. Mas… Para mim, nada daquilo que ele aborda como “amor” é, verdadeiramente, amor (PARA. MIM.). É paixão, desejo, vontade, tesão… Mas não é amor! Fiquei imaginando como e porque o autor trata esse sentimento dessa forma e, ao mesmo tempo, fiquei pensando sobre esse meu julgamento.

Assim como muitos outros autores famosos, Buk vai na contramão do que se espera. A todo instante. E esse é, provavelmente, um dos maiores pontos à favor do Velho Safado. Como a própria editora afirma em seu site oficial: “É considerado o último escritor ‘maldito’ da literatura norte-americana, uma espécie de autor beat honorário, embora nunca tenha se associado com outros representantes beat, como Jack Kerouac e Allen Ginsberg“.

Além disso, o retrato feminino em seus poemas – que coloca a mulher quase sempre na versão de “serva” – não me atrai de forma alguma. Ao contrário: chega a cansar (para não dizer que causa repulsa). Inclusive, em alguns poemas, Buk disserta sobre sua atração por meninas de 13/15 anos, ou seja, DESCULPA, MAS NÃO ROLOU.

Resenha: O amor é um cão dos diabos - Charles Bukowski
FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Meus poucos poemas favoritos do livro tratam, geralmente, sobre amenidades como: trabalho, casa, mar, entre outros. Um exemplo é o Provaremos as ilhas e o mar:

Provaremos as ilhas e o mar
sei que em alguma noite
em algum quarto
logo
meus dedos abrirão
caminho
através
de cabelos limpos e
macios

canções como as que nenhuma rádio
toca

toda a tristeza, escarnecendo
em correnteza.

Foi bom ter contato com uma das obras de Bukowski, mas não voltarei a ler um poema, crônica ou livro dele tão cedo.

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Resenha: O amor é um cão dos diabos - Charles BukowskiTítulo original: Love is a dog from hell
Autor: Charles Bukowski
Editora: L&PM Editores
Número de páginas: 304
Ano: 2010
Gênero: Poesia
Nota: EstrelaEstrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia

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Publicado por Melissa Marques

Melissa Ladeia Marques é jornalista e especialista em Marketing Digital. Atua como analista de mídias sociais, webwriter, redatora publicitária, assessora de imprensa e o que mais a comunicação proporcionar. Assim como todo clichê jornalístico, bebe mais café do que deveria e sonha em escrever um livro.

13 comentários sobre “Resenha: O Amor é um Cão dos Diabos – Charles Bukowski”

  1. Hank disse:

    Só deixando um complemento: Pena que não gostou do livro. Espero que vc leia outras obras do Buk, Misto quente, Factótum e Sobre o amor.
    Entendo que existem muitas coisas que não são digeríveis. Mas a obra dele tem muita coisa que podemos levar pra vida.

    * Essa parte não foi com o primeiro comentário pq “cliquei em enviar sem querer”. Depois que ví que faltou a parte.

    grande abraço

    1. Oi, Hank!
      Tudo ok?
      Obrigada pelo comentário e observações. Realmente, não dá para dizer que não gostamos de algo – ou de um autor, no caso – conhecendo apenas frases soltas de internet. Vou tentar ler o Misto Quente um dia, já que não é a primeira pessoa que me indica o livro 🙂
      Abraços,

  2. Peregrin disse:

    estava em uma fase de ódio ao mundo, então me mandaram ler esse livro pois seria “uma inspiração para não me importar com nada no mundo”.
    porém terminei de ler aos prantos e com as minhas frustrações ainda mais atiçadas.
    vim procurar na internet opniões sobre o livro e o autor e tudo o que eu via era pessoas apreciando uma imagem do livro e do autor que de forma alguma eu consegui simpatizar.
    graças a sua publicação agora não estou me sentindo tão só nesse mundo, haha.

    1. Oi, Peregrin!
      Tudo ok?
      Agradeço seu contato! 🙂
      Que bom saber que você se identificou com a resenha.
      Sempre que quiser conversar sobre livros, estamos por aqui 😀
      Abraços, Mel.

  3. Peregrin disse:

    estava em uma fase de ódio ao mundo, então me mandaram ler esse livro pois seria “uma inspiração para não me importar com nada no mundo”.
    porém terminei de ler aos prantos e com as minhas frustrações ainda mais atiçadas.
    vim procurar na internet opniões sobre o livro e o autor e tudo o que eu via era pessoas apreciando uma imagem do livro e do autor que de forma alguma eu consegui simpatizar.
    graças a sua publicação agora não estou me sentindo tão só nesse mundo, haha.

  4. Hank disse:

    Só deixando um complemento: Pena que não gostou do livro. Espero que vc leia outras obras do Buk, Misto quente, Factótum e Sobre o amor.
    Entendo que existem muitas coisas que não são digeríveis. Mas a obra dele tem muita coisa que podemos levar pra vida.

    * Essa parte não foi com o primeiro comentário pq “cliquei em enviar sem querer”. Depois que ví que faltou a parte.

    grande abraço

    1. Oi, Hank!
      Tudo ok?
      Obrigada pelo comentário e observações. Realmente, não dá para dizer que não gostamos de algo – ou de um autor, no caso – conhecendo apenas frases soltas de internet. Vou tentar ler o Misto Quente um dia, já que não é a primeira pessoa que me indica o livro 🙂
      Abraços,

  5. Hank disse:

    Esse é um dos melhores livros de poemas do velho. A tradução foi bem feita e arrisco dizer que a tradução está na casa dos 90%.
    Velho buk foi um cara que escreveu como poucos. Infelizmente, vejo muitos na net, dizerem que ele era chulo, que escrevia de forma ruim e que era “bobagento”.
    Ora, como as pessoas podem julgar o velho sem conhecer suas obras e sua história?
    O que mais vejo, são pessoas julgando apenas por frases soltas na internet ou por comentários feitos por terceiros.
    Se vc quer criticar, seja de forma positiva ou negativa, vc tem que ao menos, ler seus livros e conhecer sua história. É assim que penso e foi o que fiz.
    Conheci através de frases da internet. Comprei o primeiro livro e tenho orgulho em dizer que possuo todos os livros publicados no brasil.
    Algumas coisas que o velho dizia não concordo, mas digo que ele tem muito a nos ensinar e as pessoas que simplesmente apontam o dedo e dizem que ele não é bom, é pq não conhecem de fato o velho Buk.

    grande abraço e parabéns pelo blog

  6. Hank disse:

    Esse é um dos melhores livros de poemas do velho. A tradução foi bem feita e arrisco dizer que a tradução está na casa dos 90%.
    Velho buk foi um cara que escreveu como poucos. Infelizmente, vejo muitos na net, dizerem que ele era chulo, que escrevia de forma ruim e que era “bobagento”.
    Ora, como as pessoas podem julgar o velho sem conhecer suas obras e sua história?
    O que mais vejo, são pessoas julgando apenas por frases soltas na internet ou por comentários feitos por terceiros.
    Se vc quer criticar, seja de forma positiva ou negativa, vc tem que ao menos, ler seus livros e conhecer sua história. É assim que penso e foi o que fiz.
    Conheci através de frases da internet. Comprei o primeiro livro e tenho orgulho em dizer que possuo todos os livros publicados no brasil.
    Algumas coisas que o velho dizia não concordo, mas digo que ele tem muito a nos ensinar e as pessoas que simplesmente apontam o dedo e dizem que ele não é bom, é pq não conhecem de fato o velho Buk.

    grande abraço e parabéns pelo blog

  7. Tassio disse:

    Talvez um dia quando uma vibe alá bukowski lhe pegar, talvez você entenda a grandiosidade de suas obras. Especialmente Misto Quente

    1. Oi, Tassio!
      Obrigada pela indicação 🙂 Quem sabe um dia.

      Bjs

  8. Tassio disse:

    Talvez um dia quando uma vibe alá bukowski lhe pegar, talvez você entenda a grandiosidade de suas obras. Especialmente Misto Quente

    1. Oi, Tassio!
      Obrigada pela indicação 🙂 Quem sabe um dia.

      Bjs

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