Resenha: O Perigo de uma História Única – Chimamanda Ngozi Adichie

O Perigo de uma História Única é uma adaptação da primeira palestra feita por Chimamanda durante o evento TED Talks, em 2009. Com mais de 18 milhões de acessos, é um dos mais vistos na plataforma oficial desde seu lançamento. Clique aqui para assistir.

“Assim como o mundo econômico e político, as histórias também são definidas pelo princípio de nkali*: como elas são contadas, quem as conta, quando são contadas e quantas são contadas depende muito de poder.
O poder é a habilidade não apenas de contar a história de outra pessoa, mas de fazer que ela seja sua história definitiva.” (P. 23)

* “Nkali”, substantivo sem tradução que significa algo como “ser maior do que o outro”.

No livro, Chimamanda comenta que, em sua infância, cresceu lendo e ouvindo histórias “únicas” e que muitas vezes não geravam identificação: personagens brancos de olhos claros, que viviam na neve… Bem diferente da realidade nigeriana da autora.

“A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não que é sejam mentira, mas que são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a única história.” (P. 26)

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O conceito de história única, é claro, se aplica proporcionalmente à visão que o Ocidente cria do continente africano: ao entrar na faculdade, Chimamanda conta que a colega de quarto – bem intencionada – se preocupou e questionou se ela havia passado muita fome ou se sabia usar um fogão.

Resenha: O Perigo de uma História Única - Chimamanda Ngozi Adichie
FOTO: Melissa Marques | Resenhas à la Carte

“Sempre que estou no meu país, sou confrontada com as fontes de irritação comuns à maioria dos nigerianos: nossa infraestrutura falida, nosso governo falido. Mas também com a incrível resiliência de um povo que prospera apesar do governo, e não graças a ele.” (P. 31)

Segundo a autora de O Perigo de uma História Única, a mídia ajuda a reforçar e a criar essas histórias unilaterais a todo instante: imigrantes mexicanos, guerras na África, Brasil = Futebol e Samba… Enfim. Vocês entenderam 🙂

Ela também comenta sobre a necessidade de buscarmos mais, termos um olhar além, e nos preocuparmos em sempre propagar ideias e histórias multifacetadas, seja onde e como for: uma conversa à mesa de bar, um livro, uma reportagem… só assim conseguimos transformar o ambiente.

“Eu gostaria de terminar com esta ideia: quando rejeitamos a história única, quando percebemos que nunca existe uma história única sobre lugar nenhum, reavemos uma espécie de paraíso.” (P. 33)

Fiquei um pouco chateada com o tamanho do livro: o “discurso”, em si, vai das páginas 11 a 33. O restante é um “sobre a autora” e “Obras da autora publicadas pela Companhia das Letras“.

Acredito que, assim como Chimamanda prega no livro, a editora Companhia das Letras poderia disponibilizar a versão e-book (ou audiobook) do livro, gratuitamente. Assim, ainda mais pessoas conheceriam as ideias dessa autora brilhante e aprenderiam um pouco mais sobre a necessidade de termos mais de um ponto de vista sobre algo ou alguém.

Em tempos de intolerância como os que estamos vivendo, saber se abrir para outras formas de pensar/agir é extremamente importante e crucial para a sociedade.

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NOTA:

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