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Resenha: Um Artista do Mundo Flutuante – Kazuo Ishiguro

Resenha: Um Artista do Mundo Flutuante - Kazuo Ishiguro

Comecei a ler Um Artista do Mundo Flutuante, de Kazuo Ishiguro, porque amei o livro Não me Abandone Jamais. O estilo do autor é único: sutil, poderoso, sensível e comovente. Nesta obra, que conta a história de Masuji Ono —professor e pintor aposentado no período Pós-Segunda Guerra Mundial — de novo me encantei com a delicadeza do autor. Mesmo sendo uma história que, a princípio, dificilmente chamaria minha atenção, Um Artista do Mundo Flutuante é um livro sobre memória, culpa, envelhecimento e a melancolia de um país devastado pela guerra.

A sinopse diz:

Um romance sensível e comovente do vencedor do prêmio Nobel, ambientado no Japão após a Segunda Guerra Mundial. Masuji Ono, protagonista e narrador, é um homem de seu tempo: pintor de grande renome do Japão antes e durante a Segunda Guerra Mundial, ainda jovem Masuji desafiou o pai para seguir a vocação artística e, durante seu desenvolvimento criativo, lutou contra as amarras da arte tradicional japonesa para dar lugar a uma produção propagandística a serviço de seu país.

Usando a influência de que gozava perante as autoridades do governo imperial, Ono buscava ajudar pessoas em situações menos favorecidas do que a sua. Ambientado nos anos imediatamente após a rendição, o romance descortina a vida de Masuji já aposentado, procurando entender as mudanças vividas pelo país e impressas na mentalidade da geração mais jovem, da qual fazem parte suas duas filhas.

Ao procurar entender por que as negociações para o casamento da mais nova delas foram abruptamente interrompidas, o protagonista se vê levado a rememorar sua vida de artista e professor respeitado e a enfrentar a consequência dos próprios atos no destino de seus descendentes. Retrato comovente de um momento histórico cujos desdobramentos se veem até os dias de hoje, Um artista do mundo flutuante é também um poderoso romance sobre a velhice, a culpa e a passagem do tempo.

O narrador é o próprio personagem, que intercala seus dias de juventude no período pré-guerra com sua vida atual: um homem aposentado, cansado, que precisa arranjar um casamento para sua filha Noriko. Aparentemente, era uma prática bastante comum no Japão daquela época, chamada de Miai. A história se passa no final dos anos 40, enquanto o Japão se reconstruía após um período de devastação.

Masuji Ono perdeu a esposa e o filho na Guerra, então segue a vida apenas com as duas filhas e o neto. Também é frequentador assíduo de um bar que sobreviveu aos escombros, alternando seu tempo entre beber, conversar com amigos do passado, cultivar o jardim e rememorar seus anos de prestígio.

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Sempre sinto um tom de melancolia nas obras de Ishiguro. Parece que estou lendo algo tão íntimo, que me sinto invasiva, como se estivesse lendo o diário de alguém, sabe? É uma sensação de estar fazendo algo errado, mas que exerce bastante fascínio.

Mesmo que no livro não existam grandes acontecimentos ou reviravoltas, acompanhamos os sentimentos, saudades e memórias de um velho pintor que precisa aprender a lidar com as novas gerações. Ono se surpreende com seu neto gostar de cowboys e tentar falar inglês. Ao mesmo tempo, faz críticas às pessoas e estabelecimentos que desejam “agradar os americanos”. Como artista, professor e pessoa que alcançou um alto nível de respeito, o personagem vive uma luta interna para tentar seguir seus dias sem se lembrar das dores do passado.

Resenha: Um Artista do Mundo Flutuante - Kazuo Ishiguro
FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Achei muito curioso a história do miai. Noriko, uma jovem de 26 anos, é vista como praticamente um caso perdido porque ainda não se casou. Quase conseguiu negociar com uma família, mas no último minuto o acordo foi cancelado. Após um ano, ela busca agradar a família Saito, de alto prestígio. Por meio de encontros combinados, jantares e conversas furadas, ela precisa causar uma boa impressão, senão pode acabar sozinha. Seu pai é um fator decisivo, porque detetives contratados pelas famílias vasculham o passado e as reputações de cada membro da família.

No entanto, o protagonista sente medo e culpa pelo passado. Suas obras da época, seus ideais e lutas patrióticas são vistos pelos liberais de 1948 como repugnantes. Masuji teme ter contrariado alguém e faz o possível para revisitar as pessoas que faziam parte da sua vida na juventude.

Um Artista do Mundo Flutuante é um livro morno e contemplativo. A leitura flui, a história comove, mas não espere altos acontecimentos marcantes. Em resumo, a obra é um passeio nostálgico no Japão pós-rendição. Gostei do livro, mas faltou um “algo a mais” para transformar a narrativa em algo memorável.

NOTA:

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