Resenhas  |  24.01.2022

Resenha: Belo Mundo, Onde Você Está – Sally Rooney

E mais uma vez fui fisgada pela prosa de Sally Rooney. Depois de Pessoas Normais, que eu gostei em partes, resolvi começar Belo Mundo, Onde Você Está, o livro mais recente da autora irlandesa.

Não tem jeito: eu nasci em 1990 e, mesmo sendo brasileira, longe da realidade de quem vive em Dublin, fica muito difícil não se identificar com as crises dos personagens, os questionamentos, as inúmeras inseguranças e as atitudes melancólicas.

Resenha: Belo Mundo Onde Você Está - Sally Rooney
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Os millennials são uma geração complicada, pegaram bem a transição da era digital e dificilmente se sentem à vontade com o rumo de suas vidas. Ansiedade, depressão, o medo de não suprir as expectativas dos pais, a falta de segurança na carreira, o futuro sempre incerto etc. E Sally Rooney consegue tocar na ferida, colocando todas essas sensações em seus personagens confusos, “quebrados”, que estão na casa dos 30 tentando buscar um sentido nos relacionamentos amorosos, no trabalho, nas relações familiares e nas amizades.

Veja a sinopse de Belo Mundo, Onde Você Está:

Alice conhece Felix pelo Tinder. Ela é romancista, ele trabalha num armazém nos subúrbios de uma pequena cidade costeira da Irlanda. No primeiro encontro, enquanto os dois tentam impressionar, a fagulha de algo mais aparece.

Em Dublin, Eileen está tentando superar o término de seu último relacionamento enquanto precisa lidar com a falta da melhor amiga, que se mudou para o litoral. Ela acaba voltando a flertar com Simon, um homem mais velho que acompanha sua vida há tempos.

Alice, Felix, Eileen e Simon ainda são jovens, mas sentem cada vez mais a pressão do passar dos anos. Eles se desejam, se iludem, se amam e se separam. Eles se preocupam com sexo, com amizade, com os rumos do planeta e com o próprio futuro. Seriam eles as últimas testemunhas do ocaso? Eles vão conseguir encontrar uma forma de viver mais uma vez em um belo mundo?

Com uma prosa única e brutal, Sally Rooney constrói mais um romance inigualável sobre o que significa amadurecer sem deixar a si mesmo para trás.

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Terminei após quatro meses de leitura (infelizmente tenho demorado mais pra ler nos últimos tempos), e posso dizer que é uma leitura agradável até certo ponto. Os relacionamentos dos personagens são complicados demais e parece até um pouco forçado, mas não duvido que seja dessa forma na realidade.

Felix pra mim é um cara desprezível e Alice parece gostar dele, mesmo sendo tratada quase sempre com desdém. Em certa parte do livro ele até questiona se ela gosta de se punir, se por acaso se aproxima de algumas pessoas porque sente que precisa sofrer e que não merece ser amada. Ela é constantemente tratada como se não fosse nada pra ele, Felix critica seu estilo de vida, suas escolhas, seus amigos, absolutamente tudo. É até exaustivo de ler.

Por outro lado, enquanto Eileen é uma personagem que muita gente vai se identificar (até me identifiquei em certos momentos), ela é confusa, teimosa e só consegue afastar as pessoas, especialmente Simon, por quem é claramente apaixonada. Arranja problema onde não tem e faz muito drama por pouca coisa.

Como eu comentei anteriormente, Sally Rooney capta perfeitamente os estereótipos dessa geração atormentada. Belo Mundo, Onde Você Está é interessante por esse aspecto: entrar na cabeça e na vida de pessoas desajustadas, mas que tentam ao máximo encontrar seu lugar no meio de um turbilhão de ideias e expectativas.

Resenha: Belo Mundo Onde Você Está - Sally Rooney
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Outra parte positiva do livro são os e-mails trocados entre as amigas: enquanto Eileen e Alice contam sobre determinados momentos de suas vidas, elas discutem outros assuntos envolvendo História, Sociologia, Religião, Literatura, entre outros temas interessantes. Achei curioso que Rooney coloca nessas “cartas” alguns tópicos que Alice e Eileen leram na Wikipédia. Por mais que elas gostem de discutir política ou assuntos que falam sobre o mal-estar na sociedade, as informações dificilmente vão além do que encontram na primeira página do Google. Mais um reflexo da nossa Era Digital, cujas informações estão sempre disponíveis, mas que os leitores dificilmente se aprofundam nos assuntos. (Não vejo isso como algo negativo, afinal a Wikipédia é excelente, mas achei que foi um detalhe relevante para ressaltar ainda mais o contexto atual do livro.)

Se você pretende ler Belo Mundo, espere uma prosa bem escrita, com personagens complexos em situações cotidianas simples. Quatro pessoas diferentes que lidam com seus problemas e buscam novas formas de afeição. Ao final, há inclusive citações sobre a pandemia, mostrando como eles lidaram com o distanciamento social.

Gostei da leitura, mais maduro do que Pessoas Normais, por exemplo. Agora preciso ler Conversas Entre Amigos, que também é muito elogiado. E você, já leu? Gostou? Deixe seu comentário!

NOTA: ★★★★

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