Resenhas  |  23.11.2016

Resenha: Cândido ou o Otimismo – Voltaire

Quando peguei para ler Cândido ou o Otimismo, escrito por Voltaire em 1759, não imaginava como poderia ser bom. É um clássico indicado em todas as ~listas para ler antes de morrer~, mas é inacreditável como em 2016 esse livro consegue ser atual. E como AINDA é tão engraçado!

Resenha: Cândido ou o Otimismo - Voltaire

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Como a própria sinopse aponta, não é possível rotular essa obra. Conto filosófico? Fábula? Crônica? Romance de aventuras? Comédia? Só sei dizer que é um livro extraordinário e você com certeza deve ler em algum momento da sua vida!

No livro, Cândido é expulso do castelo de Thunder-ten-tronckh e separado da bela Cunegundes, sua amada. O herói descobrirá na própria carne que este mundo talvez não seja, ao contrário do que pretendia seu mestre e filósofo Pangloss, “o melhor dos mundos possíveis”. Para aprender essa lição, Cândido percorrerá três continentes em ritmo vertiginoso, numa sucessão de desgraças e aventuras, fugas trepidantes e discussões filosóficas que têm feito rir seus leitores desde a primeira edição.

O autor é tão ácido que é impossível não soltar boas risadas com as passagens sarcásticas. Voltaire foi uma das principais figuras do Iluminismo, cujas obras e ideias influenciaram muitos pensadores importantes, tanto da Revolução Francesa quanto da Americana. Como um defensor da reforma social, ele não se importava com as punições para quem quebrasse as leis de censura. Ele não se deteve em criticar a Igreja Católica e outras instituições francesas do século XVIII, o que torna sua obra ainda mais interessante.

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Em Cândido, Voltaire trata de temas polêmicos e importantes que assolaram sua época: a Guerra dos Sete Anos, entre França e Inglaterra; os jesuítas que viviam na América do Sul; a lendária cidade de Eldorado, escondida entre os Andes; a busca pelo ouro e outros metais preciosos; as viagens náuticas; os horrores das guerras e a violência crescente nas cidades. São muitos assuntos abordados em poucas páginas, em um ritmo entrecortado e acelerado.

O autor ainda faz críticas ferozes a filósofos da época que tinham um teor otimista em suas reflexões e teorias. Enquanto Cândido tenta manter a postura “de que tudo vai melhorar”, baseado nas convicções e ensinamentos de Pangloss, as situações que sucedem na história só provam o contrário. Voltaire mostra em sua obra uma visão pessimista e realista do mundo, envolto em tristezas, tragédias e, assim como em sua célebre frase: “o homem nascera para viver nas convulsões da inquietude ou na letargia do tédio”.

Resenha: Cândido ou o Otimismo - Voltaire

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

No posfácio de Ítalo Calvino, ele aponta que o mais interessante na obra de Voltaire não é apenas sua temática ou a trama em si, nem mesmo as críticas: mas o ritmo. É um livro delicioso de ler, que agrada a diferentes públicos e a escrita prodigiosa do autor engrandece ainda mais esse conto/fábula/romance. Na época em que foi escrito, Cândido ou o Otimismo tornou-se um bestseller e foi traduzido para diversos idiomas.

E você, já leu Cândido ou o Otimismo? O que achou do livro? Deixe sua opinião nos comentários! 🙂

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5 Comentários “Resenha: Cândido ou o Otimismo – Voltaire”
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  1. Diego Teixeira Marques      14 ago 2021 // 10H47

    Cândido é primoroso, nas sátiras prodigiosas de Voltaire às instituições de sua época e aos acontecimentos tão marcantes no dezoito. Costumo dizer que é o Forrest Gump invertido gozado de muita sagacidade e temperado com gosto pela intelectualidade do autor, o grande Voltaire.

  2. anaC      19 nov 2019 // 02H17

    Comprei usado numa feira de livros usados na praça sem saber o que esperar. Foi uma gratíssima surpresa! Li de um fôlego só e ri muito. Depois pensei, não, é um livro importante na história do pensamento ocidental, vou ler de novo mais devagar e com mais respeito. Que nada! De novo, de um fôlego só! Tenho comentado a amigos que é um livro que se lê quase como se fosse um gibi, por causa do ritmo e porque é pequeno. Mas, de fato, tem algo que me lembra Asterix. Talvez o ceticismo francês?

    • Isabela Zamboni      19 nov 2019 // 02H30

      Pode ser, Ana! O ceticismo e ironia franceses são bem característicos. Esse livro realmente é uma grata surpresa, eu amei! Beijos

  3. anaC      08 ago 2019 // 03H54

    Comprei usado numa feira de livros usados na praça sem saber o que esperar. Foi uma gratíssima surpresa! Li de um fôlego só e ri muito. Depois pensei, não, é um livro importante na história do pensamento ocidental, vou ler de novo mais devagar e com mais respeito. Que nada! De novo, de um fôlego só! Tenho comentado a amigos que é um livro que se lê quase como se fosse um gibi, por causa do ritmo e porque é pequeno. Mas, de fato, tem algo que me lembra Asterix. Talvez o ceticismo francês?

    • Isabela Zamboni      08 ago 2019 // 06H02

      Pode ser, Ana! O ceticismo e ironia franceses são bem característicos. Esse livro realmente é uma grata surpresa, eu amei! Beijos