*Última atualização: 12 de outubro de 2026
Cartas a um Jovem Poeta é um livro clássico que já foi muito discutido, tem diversas pessoas famosas que referenciam e adoram (alô Lady Gaga!) e serviu de inspiração para diferentes obras literárias.

Eu estava em busca de um livro mais curto, que fosse agradável e não fosse uma leitura muito cheia de reviravoltas ou muitos personagens.
Um dia estava vasculhando a loja online do Kindle e encontrei esse na promoção. Achei muito bom porque adoro ler cartas e, principalmente, porque foi uma troca de correspondências real, entre o autor Rainer Maria Rilke e um jovem aspirante a poeta chamado Franz Kappus.
➡️Já fizemos um post com 9 livros de cartas e memórias – reais ou não. Vale a pena conferir!
Apesar de ser um livro breve, ele traz ótimas reflexões. Mas antes de começar, de fato, a falar sobre o livro, vamos à sinopse oficial:
Paris, fevereiro de 1903. Rainer Maria Rilke (1875-1926) recebe uma carta de um jovem chamado Franz Kappus, que aspira tornar-se poeta e que pede conselhos ao já famoso escritor. Tal missiva dá início a uma troca de correspondência na qual Rilke responde aos questionamentos do rapaz e, muito mais do que isso, expőe suas opiniőes sobre o que considerava os aspectos verdadeiros da vida. A criaçăo artística, a necessidade de escrever, Deus, o sexo e o relacionamento entre os homens, o valor nulo da crítica e a solidăo inelutável do ser humano: estas e outras questőes săo abordadas pelo maior poeta de língua alemă do século XX, em algumas das suas mais belas páginas de prosa.
Frank Kappus queria muito ser escritor e começou a enviar cartas para Rilke, um autor que já era aclamado em sua época. É impressionante o quanto Rilke, mesmo ocupado e, diversas vezes, passando por problemas de saúde, fazia questão de responder às dúvidas e questionamentos do jovem estudante.
Ele escrevia longas cartas com conselhos, discutia temas muito profundos que, até hoje, nos fazem pensar em como alguns questionamentos nunca mudam. Um deles é sobre o que é a arte e a grande necessidade que muitas pessoas sentem em escrever, em desbravar as palavras. Além disso, o autor desdobra temas como a relação entre seres humanos e Deus, a solidão que parece inerente a nós, entre outras reflexões.
Algo que chamou minha atenção foi a citação de Rilke a outro autor contemporâneo a ele: Jens Peter Jacobsen. Ele elogia bastante o autor dinamarquês, falando que temos muito a aprender com sua literatura, especialmente a obra Niels Lyhne. Eu fiquei tão curiosa para conhecer que pedi o livro de aniversário e ganhei a edição de capa dura. Estou lendo no momento e posso dizer que já me fisgou, em breve retorno com a resenha para vocês.
Eu separei aqui alguns trechos de Cartas a um Jovem Poeta que gostei bastante:
Caso o seu cotidiano lhe pareça pobre, não reclame dele, reclame de si mesmo, diga para si mesmo que não é poeta o bastante para evocar suas riquezas; pois para o criador não há nenhuma pobreza e nenhum ambiente pobre, insignificante. (pg.12)
Uma obra de arte é boa quando surge de uma necessidade. É no modo como ela se origina que se encontra seu valor, não há nenhum outro critério. (pg. 13)
Obras de arte são de uma solidão infinita, e nada pode passar tão longe de alcançá-las quanto a crítica. (pg. 18)
📖 Quer comprar o livro? É só clicar na imagem abaixo e adquirir na Amazon:

Os homens converteram até mesmo o ato de comer em uma outra coisa: carência por um lado e excesso por outro obscureceram a clareza dessa necessidade; e igualmente obscurecidas se tornaram todas as necessidades profundas e simples nas quais a vida se renova (pg. 23)
É por isso que a tristeza também passa: o novo em nós, o acréscimo, entrou em nosso coração, alcançou seu recanto mais íntimo e mesmo ali ele já não está mais – está no sangue. E não percebemos o que houve. Seria fácil nos fazer acreditar que nada aconteceu, no entanto nos transformamos, como uma casa se transforma quando chega um hóspede. Não somos capazes de dizer quem chegou, talvez nunca cheguemos a saber, mas vários sinais indicam que o futuro entra em nós dessa maneira, para se transformar em nós muito antes de acontecer. (pg. 39)
E o mais interessante do livro é que não lemos as cartas de Kappus, apenas as respostas de Rilke. Então fica um espaço para a imaginação: o que ele teria escrito cuja resposta foi tão interessante? Sei que há atualmente uma edição mais nova que contém essas cartas, mas eu prefiro ler dessa forma.
Creio que esse livro mexeu comigo justamente por estarmos numa época tão cheia de textos vazios criados por inteligência artificial. Só de pensar que já tivemos esse tipo de correspondência sendo trocada, essa combinação de interesses e pensamentos filosóficos sendo discutidos, essa vontade dos autores de escrever que vem do âmago, me deixa repleta de satisfação. Ao mesmo tempo, me entristece porque temos uma onda de textos sendo escritos, mas que não são lidos, de fato.
Afinal, a leitura, a escrita – a meu ver – não consiste apenas na criação e disposição de palavras, mas na interpretação, no pensamento crítico, na experiência que pode mudar nossa visão de mundo. Coisas que são humanas, não robóticas.
Enfim, desabafos à parte, se você busca uma leitura que não tome muito tempo e que, ainda assim, impressiona, pode se enveredar pelas páginas de Cartas a um Jovem Poeta sem medo de ser feliz.
NOTA: ⭐⭐⭐⭐⭐


Isabela Zamboni Moschin é jornalista, especialista em Língua Portuguesa e Literatura e mestre em Mídia e Tecnologia. Adora café, livros, séries e filmes.




