Resenhas  |  09.02.2021

Resenha: Pelos Olhos de Maisie – Henry James

Pelos Olhos de Maisie conta a história de uma menina que passa por um momento delicado na vida: o divórcio dos pais. Porém, esse divórcio está longe de ser amigável. Dividida entre o pai (Sr. Beale) e a mãe (Ida), Maisie é manipulada por ambos e usada como uma peça de um jogo, em que os jogadores não tem outro interesse senão ferir uns aos outros.

Resenha: Pelos Olhos de Maisie - Henry James

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Quem conhece a obra de Henry James, autor renomado, aclamado e famoso pelo livro A Volta do Parafuso, sabe que este não é um livro simples. A linguagem rebuscada, a narrativa densa e os mínimos detalhes transformam a obra em uma experiência complexa. Leia a sinopse oficial:

A separação de seus pais gerou uma situação inusitada para Maisie. Apesar de a guarda ter sido concedida ao pai, acabou sendo estabelecido que a menina ficaria com os dois. Dividida, Maisie vira um joguete na mão do casal e, aos poucos, expõe os contrastes, entre virtudes e defeitos, entre inocência e cinismo, de ambas as partes – ao mesmo tempo que descobre um modo próprio de ver o mundo.

A personagem está num lugar privilegiado para Henry James contar esta história admirável, feita de objetividade narrativa, observação detalhada e sutil ironia. Maisie já não é criança, mas ainda não é adulta. Situa-se ao mesmo tempo dentro e fora da trama. Por isso, sua vida ilumina e desvela costumes, princípios e fraquezas de uma família desagregada e de uma sociedade movediça.

Escrito na fase mais fértil da carreira de Henry James, o romance está entre as grandes realizações do autor. Esta edição traz, entre outros aparatos, o prefácio que o próprio autor escreveu, em 1908, para a “New York Edition” de suas obras, extraordinário depoimento em que comenta seu método de trabalho e o processo de construção do romance.

Antes de iniciar a leitura, eu sabia que o autor era famoso pelas histórias de fundo psicológico. Em Pelos Olhos de Maisie, acompanhamos a narrativa pelo ponto de vista da menina, ou seja, uma criança perdida. Enquanto cresce, porém, Maisie se torna uma jovem mais perspicaz e consciente de sua situação complicada.

Resenha: Pelos Olhos de Maisie - Henry James

FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

A garota é deixada de lado pelos pais durante sua fase de desenvolvimento, mas acaba criando seus próprios mecanismos de defesa. Enquanto acompanhamos um desenrolar desesperador de relações entre governanta, padastro, madastra e outros personagens que tentam obter a guarda da menina — a Sra. Beale (antiga governanta de sua mãe, que se casa com seu pai), a Sra. Wix (atual governanta) e Sir Claude (seu padrasto, marido de sua mãe) — pouco sabemos sobre o que está acontecendo.

“Em suma: foi-lhe apresentada a vida com uma prodigalidade em que o egoísmo dos outros se destacava, e nada havia para impedir o sacrifício que não a simplicidade de sua juventude.” (p.39)

Os fatos são distorcidos, então só entendemos os acontecimentos a partir dos relatos dos personagens à jovem Maisie. Logo, temos que ligar os pontos e adivinhar o que acontece nas entrelinhas. Afinal, tudo o que sabemos são fragmentos a partir de uma perspectiva infantil. A única certeza que temos é de que existe um abandono parental.

O livro é um show de literatura, mas, ao mesmo tempo em que Henry James entrega uma obra que nos prende no início, depois de algumas páginas a leitura se torna cansativa, enjoativa e enfadonha.

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A princípio, era desesperador ver como os adultos tratavam a inocente Maisie. São muitos esquemas entre diversos personagens de mau caráter,  que supostamente deveriam cuidar dela, mas estavam se aproveitando da situação. Ver o quanto uma criança sofre com a separação dos pais e, ainda pior, com a separação de qualquer tipo de afeto verdadeiro, é de partir o coração.

Porém, depois de algumas páginas, os diálogos eram confusos, as situações um pouco desconexas e, como não sabemos nada do que realmente acontece, só conseguimos imaginar (afinal, vemos tudo pelos olhos de Maisie), eu não conseguia nem terminar os parágrafos direito.

Não há muito o que contar da história em si. No livro, acompanhamos pensamentos, diálogos, tramoias e situações entre os personagens que tentam ganhar a confiança de Maisie. Em resumo, vemos o amadurecimento da garota, que, aos poucos, muda a percepção do mundo à sua volta.

“Quanto mais pensava na situação, mais a menina se convencia de que era uma espécie de jogo das cadeiras, e ficava a perguntar-se se a distribuição de lados não levaria a uma grande correria e uma troca de lugares.” (p.117)

Mesmo com essa edição caprichada da Penguin, com tradução de Paulo Henriques Britto — com textos de apoio e resenhas do próprio Henry James — não consegui engajar na história. Apesar de conhecer a riqueza literária do autor, foi uma leitura penosa pra mim, que poderia ter umas 50 páginas a menos.

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NOTA:

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