Entrevista: Maurício Gomyde, autor de Surpreendente!, da Intrínseca

Há alguns anos, os críticos diziam: “Maurício Gomyde é o Nicholas Sparks brasileiro“. No começo de sua carreira como autor, o paulistano “naturalizado” brasiliense apostava na fórmula romance + drama para ganhar notoriedade entre o público brasileiro. Foi sucesso na autopublicação, sempre com o apoio de ações e mídias online, e acabou sendo convidado para fazer parte do time da Editora Novo Conceito. Agora, Maurício lança seu sexto livro, Surpreendente!, pela Editora Intrínseca. O livro mostra um autor mais maduro, sem floreios, e com um talento nato para contar boas – e emocionantes – histórias. Confira como foi o nosso bate-papo com Maurício Gomyde:

Maurício Gomyde

FOTO: Leo Aversa / Divulgação Instrínseca

Resenhas: Como começou seu envolvimento com a literatura? Como decidiu ser escritor?

Maurício: Acho que foi como acontece com a maioria dos escritores: o envolvimento desde a infância. Minha família é muito leitora, o contato com livros começou cedo. Tive muita sorte de frequentar uma escola, no ensino fundamental, que tinha aulas de redação. Aprendi muito, era obrigado a produzir muitos textos (simples, claro!). Sempre escrevi para mim, e um dia resolvi pegar um de meus textos e jogá-lo de verdade no papel. Deixei de ser pedra para virar vidraça. Tornou-se “O Mundo de Vidro”, cuja primeira edição saiu em 2002.

Resenhas: Como tomou a decisão de “mudar de casa”? (Ir da Novo Conceito para a Intrínseca)

Maurício: A Intrínseca sempre foi um desejo secreto. Desde a primeira vez que tive contato com os títulos da editora, senti que ali era uma casa onde minhas histórias teriam bom abrigo. Mas fiquei na minha, nunca mandei livros para eles. Depois de lançar “A Máquina de Contar Histórias”, pela Novo Conceito, conversei com minha agente e revelei aquele desejo. Acabou que deu muito certo, a editora gostou do texto e da proposta. Estamos ainda em lua-de-mel, mas acho que será um casamento de sucesso, porque a editora aposta de verdade e a história ficou bacana. Vamos ver no que vai dar.

Surpreendente!, de Maurício Gomyde

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Resenhas: Como foi a sua experiência na Bienal com a nova editora?

Maurício: A Bienal do Rio foi apenas minha segunda grande feira. Como sou oriundo do mercado de autopublicação, nunca tinha participado do evento no Rio. Fiquei muito bem impressionado com o calor do público, a feira estava abarrotada e o estande da Intrínseca esteve sempre lotado. A experiência foi a melhor possível, tive recepção calorosa por parte dos profissionais da editora e da turma que trabalhou no estande. Os eventos que a editora programou foram bons e muitos livros foram vendidos. Acho que foi um belo start para o Surpreendente!

Resenhas: Você vê alguma mudança no desenvolvimento da literatura nacional através dos anos? (De quando lançou seu primeiro romance até hoje…)

Maurício: A internet proporcionou literalmente um novo mercado para a literatura (tanto nacional quanto estrangeira). Uma infinidade de novos autores foi e vem sendo gestada nas redes sociais, e isso proporciona o aparecimento de gente que, em outra situação, ficaria escondida em suas cidades. Desde quando lancei meu primeiro romance (em 2002), muita coisa mudou. Naquele tempo a coisa era muito no estilo “dar nó em pingo d’água”, fazer lançamento em livraria que só abria espaço depois de muita insistência, tentar vender livros para parentes e etc. rs Hoje você consegue criar uma plataforma consistente e se divulgar. E as editoras estão procurando bons escritores. Portanto, é mãos-à-obra e escrever.

Resenhas: Em “A Máquina de Contar Histórias”, o protagonista acaba se esquecendo da família para viver o sonho de ser um grande autor. Isso já aconteceu com você em algum momento da vida?

Maurício: Não, de forma alguma. Eu não deixo o trabalho (seja o trabalho de escritor ou meu outro trabalho) contaminar a minha relação com minha família. Elas são o mais importante. Se eu estivesse começando a chegar nesse ponto, certamente eu pararia e diria “êpa, vamos com calma!”.

Entrevista: Maurício Gomyde

FOTO: Pedro Santos e Rafael Facundo

Resenhas: Surpreendente! é… Surpreendente. E seus outros livros, como você os definiria em apenas uma palavra?

Maurício:

O mundo de vidro: Diversão.
Ainda não te disse nada: Sonho.
O rosto que precede o sonho: Emoção.
Dias melhores para sempre: Superação.
A máquina de contar histórias: Família.

Resenhas: Surpreendente! também é um livro sobre uma roadtrip. As experiências de Pedro nessa viagem são relatadas com muita precisão. Você já havia feito o mesmo caminho ou feito uma roadtrip com amigos para relatar as experiências no livro? Se sim, como foi?

Maurício: Basicamente, conheço o universo do cinema, conheço o universo da amizade (tenho muitos amigos verdadeiros), conheço a estrada que os 4 percorrem (até Pirenópolis), vou muito aos cenários em que se passa a história. Fiz muuuuitas roadtrips com minhas bandas. Sou baterista e corri o Brasil fazendo shows. Quando estava escrevendo, eu lembrava dos perrengues da estrada, dos lugares péssimos onde dormíamos ou comíamos. Acho que o envolvimento na hora de escrever vinha dessas lembranças maravilhosas.

Resenhas: O cinema e a música sempre foram temas fortes e presentes em seus livros. Agora em Surpreendente!, ainda mais. Se o livro fosse adaptado para o cinema, quem seriam os atores brasileiros escolhidos para viver os personagens principais da trama?

Maurício: Nossa, eu nunca havia pensado nisso!!! Acho que a única que eu teria em mente hoje, para viver a Cristal, seria a Bianca Müller. Ela fez o booktrailer muito bem e os olhos são exatamente os olhos da personagem. Os outros três não imagino agora, mas o Pedro teria de ser um ator capaz de realizar as interpretações complexas de alguém que está ficando cego; o Fit, deveria ser um jovem meio maluco, com visual descolado; e a Mayla, uma menina mais nova, em torno de 18 anos, com o jeito um pouco inocente. Precisaria pensar… rsrsrs.

Resenhas: O que você está lendo atualmente?

Maurício: Tenho um ritual: sempre, entre um livro e outro, releio o “A Jornada do Escritor”. Estou fazendo isso no momento. Recentemente li “Todo Dia”, do David Levithan; a versão “sem cortes” do “On the Road”, do Kerouac; e o “Como eu era antes de você”, da Jojo Moyes. Pretendo, em seguida, ler os livros dos meus amigos escritores brasileiros que comprei na bienal (só comprei nacional dessa vez).

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Maurício Gomyde

FOTO: Divulgação / Editora Intrínseca

Resenhas: Uma dica para quem está no começo da carreira como escritor…

Maurício: Acho que o escritor deve viver intensamente a história que está escrevendo. Quem é o personagem? O que ele faz? O que escuta? Onde mora? Que filme vê? Que livros lê? Faça exatamente como seu personagem, tente ser como ele. Pesquise muito, mesmo que você não vá escrever sobre aquelas coisas diretamente. Assim, no fim da história, você terá um personagem consistente e crível. E, melhor, você terá aprendido um monte de coisas novas. O resto é consequência.

Resenhas: Quais são os seus projetos?

Maurício: Pretendo cair de cabeça na divulgação do Surpreendente!, viajar, fazer eventos, ir a livrarias, cuidar das redes sociais. Gosto de focar no projeto atual, sempre. Se ele não der certo, não adiantará muito ter projetos futuros. Uma coisa de cada vez.

Resenhas: Se pudesse publicar apenas mais um livro, qual seria o tema principal dele?

Maurício: Acho que eu faria um apanhado de tudo o que já fiz nos seis livros, bateria em um liquidificador, criaria um personagem bem bacana e contaria sua história como se eu mesmo fosse ele. Afinal de contas, tudo o que já escrevi, em suma, acaba sendo sobre mim mesmo e as coisas em que acredito.

COMPLEMENTOS

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Escrito por:

Melissa Marques



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2 Comentários

  • luciana.ramos.1981@gmail.com'
    Luciana Ramos Lira 20 / 09 / 2015

    Parabéns pela entrevista! Fico feliz com o sucesso de excelentes escritores brasileiros. Maurício Gomyde é um excelente escritor e um ser humano admirável. Abraços, Lu.

    Responder

    • Melissa Marques 20 / 09 / 2015

      Oi, Luciana!
      Agradecemos sua visita e o elogio. 🙂

      Também estamos contentes com o movimento da literatura nacional e esperamos, em breve, entrevistar outros autores incríveis como o Maurício.

      Abraços.

      Responder


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