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Resenha: Paperboy – Pete Dexter

Quando li a sinopse desse livro, Paperboy, algo me chamou a atenção. Quando compararam-no com A Sangue Frio, do Capote, fiquei ainda mais interessada. O gênero policial, misturado com o fato de que o livro retrata um pouco do universo jornalístico da década de 60, foi um grande diferencial para me interessar pela leitura.

Paperboy conta a história dos irmãos Jack e Ward James, que investigam o caso do assassinato de um xerife local por Hillary Van Wetter, condenado à pena de morte. Depois de receber uma carta de uma mulher chamada Charlotte Bless, que afirmava a inocência de Hillary, Ward James, jornalista em ascensão, ao lado do parceiro Yardley Acheman, resolve investigar se Van Wetter foi realmente o culpado pelo crime.

Resenha: Paperboy - Pete Dexter

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

A trama se passa no sul dos Estados Unidos no final dos anos 60, período conturbado e cheio de transformações sociais. Jack, de apenas 20 anos, largou a universidade e voltou para casa para trabalhar como motorista do caminhão na empresa do pai. Percebemos toda a história pelo seu ponto de vista.

Vi muita gente reclamando da falta de capítulos, mas isso na verdade não incomoda. A leitura flui, o texto é gostoso de ler e a linguagem é pouco rebuscada. Por mais de 200 páginas, ficamos envolvidos em uma narrativa tensa, misteriosa e com personagens bem construídos.

Charlotte é uma personalidade única e envolvente, uma mulher “mais velha” que se sente atraída por homens na prisão, sempre tão longe e intocáveis. Yardley é um jornalista arrogante e prepotente, buscando a todo custo a fama e o sucesso, pouco se importando com a ética jornalística. W.W. James, o pai dos irmãos protagonistas, é um velho jornalista cansado que sente falta da ex-mulher e tenta, a todo custo, continuar com a boa reputação de seu jornal local. Jack, o principal, é um menino confuso e tranquilo, sempre tentando ajudar o irmão Ward, um homem misterioso, quieto e com uma inteligência e perseverança fora do comum.

A narrativa é densa e parte do real para o surreal. Alguns personagens da família Van Wetter são bizarros e perturbadores, trazendo algumas pitadas de emoção para a história. Algumas temáticas que estavam em voga na década de 60 também são introduzidas sutilmente, como o preconceito racial, a discriminação contra os homossexuais, a liberdade de expressão, a libertação sexual, entre outras.

Resenha: Paperboy

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Outro ponto que me agradou muito foram as descrições de personagens, principalmente pelos sentidos de Jack, principalmente o olfato. Dava para sentir o cheiro das pessoas, imaginar sua aparência e até sentir o gosto da cerveja quente e insossa dos dias de muito calor (e tristeza) vividos pelo personagem. É tudo muito sensitivo: conseguimos entrar na pele do jovem nadador que largou a universidade e ainda se incomodar, tanto quanto ele, com tantas situações inesperadas e reviravoltas da investigação.

A única coisa que me incomodou foi o final: muito triste, pouco original. Mas nada que tire o mérito do resto do livro.

*Obs: Assisti ao filme também. Nem tenho vontade de comentar, porque foi tão ruim e com um roteiro tão falho que nem é possível comparar.

*Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

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Resenha: Paperboy- Pete Dexter

Título original: Paperboy
Autor: Pete Dexter
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 336
Ano: 2013
Gênero: Romance policial
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


Entrevista: André Turtelli e Renato Quirino, autores da HQ Aokigahara

No Resenhas, a gente lê de tudo: aqui não rola preconceito literário! Muitas pessoas “torcem o nariz” quando falamos sobre HQ. Uns acham muito infantil (oi?), outros acham perda de tempo. Mas deixa eu te contar um segredo: Aokigahara é muito melhor que MUITOS livros que já li! Portanto, fica a dica: vamos explorar novos mundos literários e descobrir novos gostos!

Conversei com André Turtelli e Renato Quirino, autores da HQ que, como disse acima, vale muuuito a pena! (E já se tornou uma das minhas favoritas!). Confira como foi o nosso bate-papo:

Resenhas: Para quem ainda não conhece, contem um pouco sobre como surgiu a ideia da HQ…

​André: Nós dois fizemos um primeiro trabalho em parceria com um blog que tínhamos entre amigos. Eu fiz o texto e o Renato a ilustração que o complementava. Por conta disso, surgiu a vontade de fazer uma HQ juntos, coisa que os dois gostavam.​ E então acabamos topando com a floresta de Aokigahara na internet, ficamos muito interessados e, após assistir a um documentário da Vice sobre a floresta, decidimos que esse seria o tema da nossa HQ.

Renato: Eu comecei a ler HQ depois de adulto, salvo algumas do Chico Bento. Comecei a trabalhar na mesma empresa que o André, e surgiu a vontade de fazer a própria revista. Depois do blog, do documentário, e de alguns anos, colocamos a ideia no papel.

Resenhas: Acredito que o processo de criação de texto e imagem sejam extremamente diferentes. Como foi para cada um de vocês? Existiu uma rotina de pesquisa e criação?

André: ​No caso do roteiro, foi um processo bem intuitivo. Tinha uma mensagem que eu gostaria de passar e pensei em diversas formas de chegar a isso. Como costumo escrever contos curtos, de início cheguei a várias histórias pequenas. Situações ​e personagens que passariam pela floresta. Conversando com o Renato para definirmos mais ou menos o tamanho da HQ acabei escolhendo meio que duas das ideias que eu havia tido, misturando, e criando algo completamente novo, chegando ao resultado final.

Renato: No começo era para ser uma história BEM curta, 5 páginas, talvez, para jogar na internet. Pesquisamos, conversamos, André rascunhou uns diálogos, eu uns suicidas, e acabamos fechando a revista com 30 páginas. Depois que o André finalizou o roteiro, fiz um rascunho de todas as páginas, para definir o que teria em cada quadro. Depois disso, fiz um documento imenso com referências visuais, tanto da floresta quanto de ambientes urbanos japoneses, roupas, pessoas, comportamento, e comecei a desenhar.

HQ Aokigahara

FOTO: Reprodução / Facebook Renato Quirino

Resenhas: Falar sobre um tema tão pesado como o suicídio, logo na primeira HQ, não assustou vocês?

André: ​Ficamos um pouco receosos sim, na verdade. Após estar quase tudo finalizado, pensamos “imagina alguém se suicida depois de ler essa revista?” e decidimos incluir uma mensagem mais clara no final da revista, para passar uma mensagem bacana, que na verdade é uma das formas de ler a história.

Renato: Quando começamos, nem me dei conta que o tema era pesado. Depois de pesquisar por #aokigahara e ver a quantidade de corpos espalhados pela floresta, comecei a me dar conta da dimensão do problema.

Resenhas: Vocês conseguiram financiar mais de 300% do valor do projeto via Catarse. Vocês indicam esse “caminho” para quem quer publicar de forma independente?

André: Eu, pessoalmente, indico sim. É um modelo de negócio muito bacana, que todos acabam saindo ganhando. Quem quer publicar, consegue. Quem gosta do projeto, já adquire. E ver o pessoal apoiando e compartilhando é ótimo para os criadores, dá uma energia ainda maior para tentar fazer o melhor possível para satisfazer os apoiadores.

Renato: Não indico para qualquer um. Gerir uma campanha no Catarse é uma função trabalhosa, que demanda muito tempo e energia. Não é colocar o projeto no ar e esperar o dinheiro cair na conta. Se você não trabalhar pesado em divulgação, em expandir sua rede de contatos, seu projeto não será financiado. Se você não apresentar um projeto claro e confiante, ninguém vai apoiar. E o pós-campanha é ainda mais trabalhoso. Indico sim, ótima ferramenta, para quem tem vontade e não tem preguiça.

+++ CONFIRA A RESENHA DA HQ AOKIGAHARA

Resenhas: Qual diferencial vocês veem no projeto para ele ter sido tão bem aceito?

Renato: Antes da campanha entrar no ar, muita pesquisa, muita conversa, muitas horas lendo comentários de posts sobre financiamento coletivo. Conseguir definir um público, procurar onde ele está e a melhor forma de abordá-los, para mim é o diferencial. A campanha precisa de uma estratégia, boa vontade não basta.

Resenhas: Além do Catarse, vocês fizeram algumas ações offline para divulgação, como a presença na CCXP. Como foi a receptividade? Uma HQ “do interior” se deu bem “na capital”?

​Renato: Foi o primeiro evento do tipo que eu fui, meu primeiro contato com outros quadrinistas, e não poderia ter sido melhor. Mesmo no fim do sábado, o dia mais movimentado da CCXP, fui super bem recebido em todas as mesas que parei, e a grande maioria das pessoas que conversei já conheciam a Aokigahara. Não senti em nenhum momento a relação interior/capital, acho que esses conceitos já não me fazem mais sentido.

HQ Aokigahara

FOTO: Reprodução / Facebook Renato Quirino

Resenhas: Em quem vocês se inspiram?

​André: Em que vocês se inspiram… Complicado, rs. Difícil pontuar algo assim, acho que eu acabo me inspirando mais em situações que acabo vendo ou ouvindo, reais ou não. Música também é um negócio que me inspira muito, às vezes de uma frase de uma letra de música, sai um texto inteiro.​ Agora se a pergunta for mais para a HQ em si, acho que para o trajeto dos personagens foi uma coisa mais pessoal mesmo, essas questões que a gente acaba sempre levantando, sobre beleza, trabalho, pequeneza, desconhecido, etc. Agora, para a narrativa, minha maior inspiração foi uma peça de teatro que vi na época​​ – eu realmente não me lembro o nome – mas era muito boa, ela tinha essa pegada dos personagens completarem a frase um do outro mas em lugares completamente distintos, mas que criavam uma linha reta e faziam sentido para o espectador​. Queria lembrar o nome mesmo.

Renato: Nas pessoas que vejo na rua.

Resenhas: Quais são os projetos de vocês? Pretendem trabalhar juntos novamente?

​André: Estamos para lançar no começo de julho um livro de contos folclóricos ilustrados, que foi contemplado pelo Programa Municipal de Estímulo à Cultura. São 10 contos meus e 10 ilustrações do Renato. Chama-se “Aconteceu com um amigo dum amigo meu“. É um resgaste das criaturas do nosso folclore para os tempos mais atuais, digamos assim.  Onde estaria o Saci nos tempos modernos? Como seria um Curupira nos dias de hoje? ​É para esse tipo de pergunta que o livro inventa respostas. Além disso, pretendemos fazer outra HQ juntos, sim.

Renato: Além do “Aconteceu com um amigo dum amigo meu“, recentemente ilustrei o “Lobo de Rua“, livro da Janayna Pin que está entre os mais vendidos da categoria na Amazon. Estou escrevendo também o roteiro de uma HQ que vou lançar no FIQ, em novembro. Durante o próximo mês devo começar a mostrar alguns previews no meu instagram.

Resenhas: Como está sendo a recepção do público? Qual feedback vocês já tiveram?

​André: Estamos extremamente felizes com a recepção! Além do feedback ótimo das pessoas que estão perto de nós, várias resenhas elogiando, vídeos/resenhas, foi bem falado em fórum de quadrinhos, pessoas que não conhecemos indicando e elogiando espontaneamente, descobrimos que foi objeto de estudo em uma reunião em uma faculdade na Paraíba, foi “Melhor do Mês” para 3 colunistas do Universo HQ… Enfim, acho que não poderia estar mais feliz e surpreso com a receptividade que a revista está tendo. ​Ainda não apareceu nenhum hater, rs

Renato: O melhor feedback que tive até agora foi do ditchan (avô) da minha mulher, 93 anos, que conferiu as frases em japonês. Tava tudo certo, ele adorou!

Resenhas: Ainda é possível adquirir um exemplar da HQ? Como?

Renato: Sim! Pela internet, vendemos pela Ugra Press. Em São Paulo, tem algumas edições na Monkix (Rua Harmonia, 150, Vila Madalena). Esse ano estaremos com mesa no FestComix (São Paulo – Julho), e no Festival Internacional de Quadrinhos (Belo Horizonte – Novembro). Vendemos pessoalmente também, é só nos procurar! Valeu!

HQ Aokigahara

FOTO: Divulgação / Renato Quirino e André Turtelli


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Melissa Marques


Resenha: Frankenstein – Mary Shelley

Sempre tive vontade de ler “Frankenstein“, “Drácula” e afins. Aos 13 anos li “O Médico e o Monstro“, mas não continuei os romances góticos do século XIX. Misturando terror e suspense com alegorias e referências ao subconscienteà Revolução Industrial e ao advento da ciência, esse tipo de literatura é riquíssima. Ao mesmo tempo em que te prende em uma narrativa que flui, também intercala com reflexões e pensamentos que não são exclusivos daquela época e são válidos até hoje.

Resenha: Frankenstein

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Optei pelo “Frankenstein” porque conhecia a história bem por cima, sem muitos detalhes da obra original. Assistir à série Penny Dreadful me incentivou ainda mais, porque o Victor Frankenstein e a “criatura” da série são personagens interessantes. O “Drácula” deixei para o futuro porque já assisti “Nosferatu” e muitas pessoas ao meu redor me contaram diversos trechos da narrativa.

Quando terminei de ler, a princípio “Frankenstein” me pareceu um excelente livro, uma história fechadinha e bem finalizada. No entanto, parando para pensar a respeito, é um livro tão recheado de alegorias que fica complicado classificá-lo como apenas uma história de um cientista que deu vida à uma criatura destruidora. No posfácio da edição que comprei da L&PM Pocket, algumas poucas páginas explicam bem a intenção de Mary Shelley e as interpretações de críticos a respeito da obra, tornando-a ainda mais interessante.

A história todo mundo já conhece: Victor Frankenstein é um cientista ambicioso que almeja sucesso na profissão e tem uma sede eterna pelo saber. Sempre instigado a entender a origem da vida e os mistérios da morte, resolve dar vida à sua própria criação, com o objetivo de mostrar seu potencial no meio científico.

Ele acredita ser capaz de criar um ser humano, como se moldasse um boneco de argila. Mas depois que a criatura ganha vida e se mostra um ser tenebroso, ele imediatamente se arrepende e a abandona, fugindo para longe e tentando viver como se aquilo nunca tivesse acontecido. Com o tempo, a criatura volta em busca de Frankenstein e, claro, de respostas; basicamente tentando entender porque os humanos o rejeitam tanto e pedindo ajuda para diminuir seu sofrimento.

O mais interessante é que a criatura é digna de pena. Inicialmente, um capricho equivocado de Frankenstein, um “demônio” como ele mesmo o intitula; um ser deformado, gigantesco, de voz horrorosa e rosto assustador. Porém, ele só deseja ser aceito e amado, como qualquer outro humano. Quer se integrar na sociedade, viver uma vida normal, andar em locais públicos sem ser massacrado, ganhar o reconhecimento de seu criador. E tudo isso lhe é negado; Frankenstein o rejeita totalmente, morrendo de medo de sua própria criação e sentindo remorso todos os dias pela sua falha.

Ao mesmo tempo em que o objetivo da autora era vencer um concurso de história de terror mais assustadora, ela conseguiu unir o sentimento aterrorizante à crítica do indivíduo que tem medo de sua própria criação. Frankenstein e a criatura não são mais do que duas partes do mesmo ser. Um, movido pelo medo, ceticismo e frieza. O outro, a externalização dos sentimentos, a emoção. E as emoções fortes não são inerentes do humano, mas sim da criatura.

O livro é angustiante. Dá para sentir na pele o nervosismo, o medo, a ansiedade do arrependido cientista. Acompanhamos sua trajetória desde a infância, até sua derrocada, quando está enfermo e cego pela vingança. O monstro é incrivelmente inteligente e amável, mas de tanto ser rejeitado e escorraçado, se transforma verdadeiramente em um demônio.

A história é contada por meio de diários e cartas, como era de costume daquela época – o que não deixa de ser uma leitura envolvente. Com poucas páginas, é rapidinho de ler e tem passagens memoráveis, como esta:

Resenha: Frankenstein - Mary Shelley

Quem ainda tem aquela ideia do monstro verde criado em uma noite de tempestade pode deixar essa concepção de lado; Frankenstein vai muito além disso. Outro erro comum é chamar a criatura de Frankenstein, sendo que o nome é de seu criador.

O livro é baratinho, custa em média de 8 a 15 reais e pode ser encontrado em qualquer livraria ou sebo. Leitura recomendadíssima! 🙂

Resenha: Frankenstein - Mary Shelley

Título original: Frankenstein
Autor: Mary Shelley
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 240
Ano: 2014
Gênero: Terror
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Os Assassinos do Cartão-Postal – James Patterson e Liza Marklund

Em 2014 tive o prazer de conferir a Bienal do Livro em SP e, aproveitando que estava lá a trabalho, passei em alguns estandes para comprar livros. Em um deles, mais especificamente da editora Arqueiro, encontrei um livro por R$9,90. Na capa, dizia que o escritor era o “o autor de mistério e suspense mais famoso do mundo”. Achei no mínimo curioso e, como o preço estava bacana, resolvi comprar “Assassinos do Cartão-Postal”, de James Patterson e Liza Marklund.

Pesquisei no Google e descobri que o James Patterson é realmente muito famoso. Sempre em primeiro na lista dos best-sellers nova-iorquinos, seus livros já viraram filmes (um deles com Morgan Freeman no papel principal) e, inclusive, além de suspense, ele também escreve fantasia para o público infanto-juvenil. 

Antes de começar o livro, imaginei que fosse algo bem bobinho. Mas é um bom suspense, com personagens carismáticos e uma trama envolvente. A história é sobre o detetive norte-americano Jacob Kanon, que está na Europa para investigar o assassinato de sua filha Kimmy. Na verdade, Kimmy é apenas uma peça de um doentio quebra-cabeças. Em toda a Europa, jovens casais são encontrados mortos com a garganta cortada. Os assassinatos não parecem ter qualquer conexão, além de cartões-postais enviados para os jornais locais dias antes da descoberta de cada crime. Na tentativa de salvar as próximas vítimas, Jacob vai se unir à jornalista Dessie Larsson, que acaba de receber um cartão-postal em Estocolmo. (Fonte: Arqueiro)

Apesar de ser uma boa história, infelizmente ela cai no velho clichê. Suécia, jornalista, policial, serial killers… já existe um milhão de outras tramas iguais a essa. Envolver obras de arte na trama também é bem comum (vide Dan Brown) e nada original. O final também é previsível, deixando aquele “ok, é só isso?” depois que acaba.

Os Assassinos do Cartão Postal - James Patterson

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Com 300 páginas, o livro poderia ser condensado em 200, já que boa parte é enrolação. Os personagens são bacanas, mas é aquele tipo de livro já escrito para virar filme. A linguagem é simples, o ritmo é bom, mas só consigo imaginar aquilo como um roteiro. Entendo o sucesso que Patterson faz, porque o jeito que ele escreve envolve o leitor na história, o que é um ponto muito positivo. Mas, de qualquer forma, não acrescenta nada de novo: faltou uma trama mais difícil de desenrolar, uma teia mais complexa e minuciosa.

Outra coisa que me incomodou foram os assassinos: suas motivações são fracas e mal explicadas. A personalidade dos dois também foi pouco trabalhada; apesar de o autor ter criado uma explicação para a loucura dos dois, é ligeiramente forçado e não convence. Faltou um desenvolvimento melhor de personagem, principalmente quando se trata dos assassinos da história.

Indico a leitura para quem, como eu, é fissurado em suspenses. Mas, o problema de quem é viciado nesse gênero é justamente esse: o vício nos faz adivinhar tudo, então dificilmente uma história será inesperada e intrigante.

Obs: comprei o livro físico na Bienal, mas acabei trocando por outro no sebo… por isso a foto do Kindle!

Resenha: Os Assassinos do Cartão-Postal

 

Título original: The Postcard Killers
Autor: James Patterson e Liza Marklund
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
Ano: 2014
Gênero: Policial
Nota1 estrela1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Isabela Zamboni


Resenha: Minha Breve História – Stephen Hawking

Resenha: Minha Breve História - Stephen Hawking

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Posso dizer que sempre fui “fã” de Stephen Hawking. À primeira vista o que chama a atenção é óbvio: o fato de o físico ter Esclerose Lateral Amiotrófica e, ainda assim, aos 73 anos, continuar produtivo e com um humor peculiar.

Depois de assistir ao filme A Teoria de Tudo (baseado no livro homônimo escrito por Jane, a ex-mulher de Stephen), fiquei ainda mais interessada por sua história de vida e, numa viagem, resolvi comprar a autobiografia do autor, intitulada Minha Breve História.

Ao meu ver, alguém com uma história como a de Stephen teria MUITO para contar. Porém, mais uma vez o gênio deixa claro a sua simplicidade e aborda, em apenas 144 páginas, toda sua trajetória de vida.

Resenha: Minha Breve História - Stephen Hawking

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Os assuntos abordados são os mais diversos: infância, casamento, viagem no tempo, buracos negros, entre outros. Sempre intercalando vida pessoal e acadêmica.

O livro é escrito na medida certa para não ser maçante, já que, diversas vezes Stephen nos apresenta alguns termos mais técnicos e tenta explicá-los para leigos (como eu!, haha). Porém, confesso que mesmo com a linguagem simplista, acabei “passando o olho” em algumas partes do livro (como nos capítulos: Ondas Gravitacionais, Buracos Negros, Viagem no Tempo e Tempo Imaginário).

Entretanto, o livro é indicado para os amantes de biografias e para quem quer saber um pouco mais sobre a jornada de Stephen que, mesmo com todas as limitações impostas pelo acaso, se destaca como um dos mais importantes físicos da história (e da cosmologia).

LEIA TAMBÉM

Minha breve história - Stephen HawkingTítulo original: My Brief Story
Autora: Stephen Hawking
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 144
Ano: 2013
Gênero: Autobiografia
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Escrito por:

Melissa Marques


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