Resenhas  |  06.03.2022

Resenha: Luxúria – Raven Leilani

Luxúria, de Raven Leilani, é um livro que vem fazendo muito sucesso. É o primeiro romance da autora, que conquistou prêmios como Kirkus Prize, Dylan Thomas Prize, National Book Critics Circle Award, além de ser eleito um dos melhores livros de 2021 pelo New York Times, The Guardian, entre outros.

Recebi o livro no ano passado pela Companhia das Letras e logo de cara já me atraiu, tanto pela capa quanto pela sinopse. Veja:

Edie tem vinte e poucos anos e está tentando descobrir quem é e o que quer ser ― tudo isso enquanto trabalha numa editora e faz as piores escolhas amorosas possíveis. Pela internet, ela conhece Eric, um homem branco de meia-idade que tem um casamento aberto e com quem inicia um relacionamento. Quando Edie perde o emprego, a esposa de Eric, Rebecca, convida a jovem para passar um tempo em Nova Jersey, onde vivem com Akila, a filha adotiva do casal ― que também é negra. Com essa nova dinâmica familiar ― marcada pelas tensões políticas, sociais, econômicas e identitárias dos tempos atuais ―, as intenções e os pontos de vista de todos os personagens estarão em xeque. E, assim, através de um emaranhado de raiva, dor, ternura e afeto, Edie talvez consiga compreender mais a respeito de si mesma, de seu talento e de seu lugar no mundo.

Resenha: Luxúria - Raven Leilani
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

O romance, narrado em primeira pessoa, é um relato íntimo da personagem, que disserta sobre relacionamentos, sexo, as dificuldades na carreira, suas relações familiares e, especialmente, sobre ser uma mulher jovem e negra nos Estados Unidos.

A narrativa de Luxúria é envolvente e repleta de frases impactantes, oferecendo uma visão do cotidiano quase absurda, ao mesmo tempo recheada de lirismo. Por ser uma autora estreante, achei a prosa de Raven Leilani bem corajosa, escancarada, irônica e bela. Acompanhar a trajetória de Edie, com todos os seus percalços e situações constrangedoras, é querer se conectar com essa personagem o tempo todo.

A narradora é uma mulher jovem, bonita, no auge do seu erotismo, que se envolve com um homem mais velho e casado, cuja dinâmica familiar é complicada. Depois de passar por muitos perrengues, tanto em relacionamentos como na vida profissional, Edie se encontra morando na casa do amante (Eric), junto com sua esposa (Rebecca) e a filha (Akila), uma adolescente negra e adotada pelo casal. A situação é bizarra por si só, mas a complexidade das relações que se estabelecem ali dentro é quase um estudo sociológico.

Embora em alguns momentos eu tenha achado que o livro poderia ter umas 50 páginas a menos, a leitura é prazerosa. Alguns trechos são brutais e tão realistas que chegam a incomodar, o que é excelente. Afinal, a literatura tem esse papel de mostrar novas perspectivas, novas visões de mundo, além de cutucar em algumas feridas.

Resenha: Luxúria - Raven Leilani
Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

Ao mesmo tempo em que acompanhamos as relações bizarras dessa família, a narradora de Luxúria tece comentários sobre sua vida, seu lugar no mundo e sua relação com a arte. Ela é artista, pintora, mas sempre foi subjugada, deixada de lado. Por outro lado, enquanto pinta e reflete sobre sua existência, também somos arrastados para uma onda de críticas sobre o poder das relações de gênero, classe e raça.

Os pensamentos da personagem e sua percepção sobre o seu amante e sua família são curiosos. Além disso, o próprio modo como a protagonista se enxerga (ela não consegue nem finalizar um autorretrato) mostra sua própria fragilidade, um misto de solidão e sofrimento por fazer parte de um mundo em que ela não sabe onde se encaixar.

Eu gostei de Luxúria, é um bom livro, uma história envolvente e nos faz pensar bastante. Raven Leilani mostrou o quanto é uma boa escritora e espero conhecer mais obras da autora no futuro.

E você, já leu? Então deixe seu comentário e me conta o que achou!

NOTA: ★★★

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