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Resenha: Pessoas Normais – Sally Rooney

Resenha: Pessoas Normais - Sally Rooney

Vou começar essa resenha de Pessoas Normais, de Sally Rooney, com uma pequena dúvida: será que eu gostei desse livro? As opiniões gerais foram muito controversas: é uma questão de “ame ou odeie”. Enquanto vi pessoas elogiando, fazendo resenhas metafóricas e profundas, ao mesmo tempo outras falaram que era absurdo de tão ruim.

Acho que o problema foi o exagero de estabelecerem a autora como “a voz da geração millennial”, então quem criou altas expectativas pode acabar se frustrando. Porém, como eu não sabia do que se tratava e não esperava nada grandioso, consegui aproveitar a leitura.

Antes de começar, leia a sinopse:

Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Ele é a estrela do time de futebol, ela é solitária e preza por sua privacidade. Mas a mãe de Connell trabalha como empregada na casa dos pais de Marianne, e quando o garoto vai buscar a mãe depois do expediente, uma conexão estranha e indelével cresce entre os dois adolescentes ― contudo, um deles está determinado a esconder a relação.

Um ano depois, ambos estão na universidade, em Dublin. Marianne encontrou seu lugar em um novo mundo enquanto Connell fica à margem, tímido e inseguro. Ao longo dos anos da graduação, os dois permanecem próximos, como linhas que se encontram e separam conforme as oportunidades da vida. Porém, enquanto Marianne se embrenha em um espiral de autodestruição e Connell começa a duvidar do sentido de suas escolhas, eles precisam entender até que ponto estão dispostos a ir para salvar um ao outro. Uma história de amor entre duas pessoas que tentam ficar separadas, mas descobrem que isso pode ser mais difícil do que tinham imaginado.

A princípio, eu tinha certeza de que estava lendo um livro Young Adult. Dois adolescentes apaixonados, inseguros, que morrem de vergonha de si mesmos e do relacionamento que mantém às escondidas. A menina feia, zoada na escola, porém MUITO inteligente; o garoto popular, jogador de futebol, mas introvertido que adora ler nas horas vagas. Tudo isso no cenário da Irlanda, com famílias de classes sociais diferentes.

Eu nunca fui muito fã de romance, principalmente adolescente. Gostei bastante do gênero entre meus 13 e 20 anos, mas depois cansei dessas histórias “mais do mesmo”. Porém, Pessoas Normais chamou minha atenção, não sei se porque faço parte dessa geração millennial, ou porque achei o estilo da autora diferente.

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Sally Rooney é seca e direta. Os diálogos são incluídos no meio da narrativa, sem separação por aspas ou travessões. Os personagens são quietos, falam pouco, estão sempre indecisos e apáticos. Os capítulos intercalam o ponto de vista de Connell e Marianne, com passagens de tempo entre eles: semanas, meses ou até anos se passam desde o último acontecimento. A leitura, portanto, é dinâmica e não cai no marasmo.

Porém, algo me incomodou nesse livro. Eles são adolescentes que acabaram de terminar o ensino médio e entrar na faculdade, mas agem como se fossem bem mais velhos. Não parecia que eu estava lendo a história de jovens na fase de descoberta da vida. Apesar das atitudes um pouco infantis e as inúmeras inseguranças e medos da juventude estarem transpostas nas páginas, os personagens não parecem estar na faixa etária mais adequada. Não sei explicar ao certo, mas parece que as peças não se encaixam.

No entanto, o amor que Connell e Marianne compartilham é quase palpável. Provavelmente quem já viveu paixões intensas consegue se conectar aos personagens. É aquele amor que transborda, aquela vontade de nunca largar da pessoa, de viver cada segundo ao lado dela. Entretanto, ao mesmo tempo, Connell e Marianne têm problemas sérios de comunicação. Entre indas e vindas, falta de diálogo e muitas suposições estranhas, eles acabam inventando algum problema para não terem um relacionamento sério. De certo modo, é irritante. Mas, como a própria sinopse diz, é uma relação bem no estilo millennial.

Resenha: Pessoas Normais - Sally Rooney
FOTO: Isabela Zamboni | Resenhas à la Carte

Eu estava bem entretida até mais ou menos metade do livro. Depois, não via a hora de terminar. A sucessão de acontecimentos mostra os personagens passando por momentos bem difíceis, mas sem nenhuma intensidade. Doenças mentais muito sérias são trazidas à tona, mas sem o aprofundamento necessário. Parecia uma simples gripe, que passaria rápido; não gostei do tom adotado para tratar desses assuntos.

Boa parte dos diálogos resume-se em “sei lá”. A relação de Marianne com a família parece despropositada, uma violência moral sem muita explicação. Ela odeia todos e sente que todos a odeiam. E também sente ódio de si mesma.

Com o tempo, eles evoluem e deixam de ser as crianças inseguras do ensino médio, mas ainda agem como jovens sem perspectiva. Marianne não se interessa por nada e não vê sentido em trabalhar para ganhar dinheiro. Connell torna-se um homem mais maduro, mas que ainda não consegue tomar nenhuma decisão sem se rebaixar primeiro.

Durante a leitura de Pessoas Normais, senti uma vibe meio Um Dia, mas com personagens mais “frios”. Enquanto no livro de David Nicholls a narrativa se encaminha para um desfecho trágico, a obra de Sally Rooney carrega o leitor para um final sem muitas surpresas.

Pessoas Normais tem uma boa premissa, mas não deixa de ser um romance sobre adolescentes buscando um lugar ao sol. Queria ter gostado mais, confesso. Mas a verdade é que não consegui simpatizar com esse livro como eu esperava.

NOTA:

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2 comentários em “Resenha: Pessoas Normais – Sally Rooney”

  1. Olá,
    Realmente já li resenhas meio ame ou odeie e concordo que expectativa é a pior coisa que um leitor pode criar. Comigo pelo menos pode transformar um livro razoavelmente bom em um livro péssimo, só por não atender tudo que espero.
    Gostei dos pontos que você destacou e, me conhecendo, provavelmente eu não iria gostar muito do livro por conta deles.

    Beijo!
    http://www.amorpelaspaginas.com

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