Novas Resenhas:


Resenha: Hyperbole and a Half – Allie Brosh

Meme "O Que Queremos?"

FOTO: Reprodução / Hyperbole and a Half

Você já deve ter ouvido falar do meme “O que queremos?”: ele tomou conta de blogs e redes sociais em 2013, mas ninguém sabia exatamente a origem dele.

Em 2014 participei de um encontro realizado pela Editora Planeta de Livros onde tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e supertalentosas e de ter contato com o então lançamento: o livro Hyperbole and a Half, adaptação do blog homônimo.

Ok, e o que tudo isso tem a ver?

Resenha: Hyperbole and a Half - Allie Brosh

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

No encontro, descobri que esse meme foi criado pela Allie Brosh, autora do blog e do livro. Ganhei uma prova impressa do lançamento e devorei durante a viagem de volta para a minha cidade. A leitura é engraçadíssima. Uma amiga que estava ao meu lado chegou a perguntar: “Tá tudo bem com você, Mel?”. Pois é, dá pra ter uma ideia.

O jeito de se contar uma história faz toda a diferença. E como Allie sabe contar histórias! É simplesmente impossível ficar 2 páginas sem dar uma gargalhada. O tom irônico e os desenhos com uma “pegada” infantil, fazem de Hyperbole and a Half um livro absurdamente engraçado. E esse tipo de humor “que não fere ninguém” é exatamente o que eu mais gosto.

Resenha: Hyperbole and a Half - Allie Brosh

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Um ponto superpositivo é o cuidado com a edição: toda colorida, sem machas ou borrões, com cores nítidas, espaçamentos grandes… Enfim, um belo tratamento!

O livro tem uma pegada de pensamentos/autobiografia e é dividido em contos. Meus favoritos são: O deus do bolo e O desastre do molho apimentado. Alguns dos “causos” contados por Allie são simplesmente inacreditáveis! A autora aborda infância, pensamentos que tinha quando era criança (um mais nonsense que o outro!), fala sobre animais de estimação, relacionamentos amorosos e muito mais… Tudo em tom de deboche. É incrível ver alguém se abrir tanto assim e conseguir rir de si mesmo como Allie faz!

Resumindo: o livro é garantia de boas risadas!

LEIA TAMBÉM

Capa do livro Hyperbole and a HalfTítulo original: Hyperbole and a Half
Autora: Allie Brosh
Editora: Planeta de Livros
Número de páginas: 244
Ano: 2014
Gênero: Pensamentos / Autobiografia
Nota: 1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


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Melissa Marques


Resenha: Lolita – Vladimir Nabokov

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial.

Com um início desses, impossível não querer continuar Lolita, o clássico escrito por Nabokov. Lolita é referência na literatura mundial e não apenas ousou ao mostrar o ponto de vista de um pedófilo sobre amor e o sexo, como se tornou um marco na história. O livro de Nabokov foi recusado inúmeras vezes até ser publicado em Paris, no ano de 1955.

O protagonista Humbert Humbert trabalha como professor de literatura e se apaixona pela rebelde Dolores Haze, também conhecida como Lolita, uma menina de 12 anos. Depois de se casar com Charlotte Haze e se tornar padrasto da menina, Humbert se envolve sexualmente com Lolita, a quem intitula “ninfeta” – uma garota infantil que está na transição para a fase adulta, isto é: uma menina com o corpo em desenvolvimento.

Resenha: Lolita - Vladmir Nabokov

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Logo no começo, sabemos que Humbert escreveu sua história enquanto estava na prisão, ou seja, este é um narrador não confiável: conhecemos Lolita por meio do ponto de vista do homem de meia-idade. É justamente aí que reside o triunfo da obra: vemos o mundo por meio do olhar de um pedófilo, um homem desesperado e cego pelo amor e luxúria, uma pessoa desnorteada e obsessiva.

Resenha: Lolita - Vladmir Nabokov

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Não nego que Humbert é realmente apaixonado por Lolita, mesmo que de forma doentia. Aos olhos de qualquer um, Lolita seria apenas uma menina rebelde, mal-educada e magricela de 12 anos. Aos olhos do protagonista, Lolita é endeusada e descrita de forma esplêndida: cabelos cor de mel, pele aveludada, usando apenas uma soquete. O estilo de Nabokov é riquíssimo, com um vocabulário extenso, amplas descrições que não caem na mesmice ou no tédio… um jeito único de narrar a história.

No começo, fiquei com um leve asco do personagem, já que este frequentava parquinhos para observar meninas brincando e pensando em como elas seriam em cima de seu colo (quão nojento é isso?). Mas, como não me choco facilmente, avancei na leitura e percebi o quão interessante é a narrativa proposta pelo autor. Odiamos Humbert Humbert por suas atitudes grotescas em relação a Lolita e outras ninfetas, mas também nos solidarizamos com o protagonista em alguns momentos. Lolita também é uma menina insuportável, mas que conseguimos compreendê-la, já que sua infância foi jogada fora.

Resenha: Lolita - Vladmir Nabokov

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

O medo constante do protagonista em ser descoberto, as loucuras que fez pela menina, todo seu êxtase sexual ao encostar na pele da garota,  são descritos de uma forma incrível. Dificilmente nos deparamos com livros tão meticulosos e perfeccionistas, mas “Lolita” é um bom exemplo. Alguns podem achar certas partes descritivas maçantes, principalmente quando Humbert se delonga ao registrar a paisagem norte-americana, mas nada que tire o prazer da leitura.

Depois de Frankenstein, Dorian Gray e Grandes Esperanças, adicionei mais um clássico para minha lista e não me arrependo nem um pouco. Obs: já tinha assistido ao filme de Kubrick, mas, apesar de bom, nem se compara ao livro (como sempre). Leiam e depois assistam, a experiência com certeza é bem melhor 🙂

Resenha: Lolita - Vladimir Nobokov

Título original: Lolita
Autor: Vladimir Nobokov
Editora:Alfaguara
Número de páginas: 392
Ano: 2011
Gênero: Ficção/Clássico
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela1 estrela


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Isabela Zamboni


Resenha: Aokigahara – André Turtelli e Renato Quirino

Resenha Aokigahara - André Turtelli e Renato Quirino

FOTO: Melissa Marques / Resenhas à la Carte

Quando peguei a HQ Aokigahara na mão, já me impressionei! Sem saber o que iria encontrar no miolo, fiquei hipnotizada pelo estilo do quadrinista Renato Quirino e admirada com os mínimos detalhes dos traços. Já percebi que seria o tipo de história que eu iria gostar, apesar de quase nunca ter lido quadrinhos na minha vida.

Aliás, fazer essa resenha não é uma tarefa fácil pra mim: meu repertório é mínimo em relação a HQs, portanto, me perdoem se usar algum termo ou palavra errada. Mas não é porque não conheço muitas obras que não posso admirar uma que gostei bastante, não é verdade?

Aokigahara me deu a impressão de ser um conto. São poucas páginas, li bem rapidinho e acredito que a intenção dos autores era essa: mostrar uma história sensível, poética, mas sem aprofundar demais no tema ou nos personagens. É aquele tipo de história que passa voando – traz uma mensagem rápida – mas que cria marcas profundas.

Resenha Aokigahara - André Turtelli e Renato Quirino

FOTO: Divulgação / André Turtelli e Renato Quirino

Não vou detalhar a trama, já que o final é uma surpresa e pode estragar a experiência de outros leitores. Mas o que posso dizer é: você vai acompanhar a trajetória de dois personagens que vão para a triste floresta de Aokigahara, no Japão, conhecida como a Floresta dos Suicidas. Como é uma floresta muito densa, com pouco vento e quase nada de vida selvagem, o local é bastante silencioso. Em média, são encontrados 100 corpos (!!!) ao ano por lá, inclusive esqueletos mais antigos. Triste, né? Existem diversos documentários e filmes sobre essa floresta. Melancólico, mas também interessante para entender porque tantas pessoas tiram a própria vida naquele lugar.

Gostei bastante da temática da HQ e achei muito importante falar sobre suicídio, que, por ser um tema muito delicado, ainda é considerado um tabu em muitas culturas. Também adorei como os autores nos fazem sentir a dor dos personagens, ainda que conhecendo-os tão pouco.

O que posso dizer de Aokigahara? É sensível, gentil, mas ao mesmo tempo, toca na ferida. Muito bom mesmo! Isso sem falar na arte em si, que é incrivelmente detalhada e feita com o maior cuidado possível.

Acho que vou começar a ler mais quadrinhos.

PS: A Mel fez uma entrevista ótima com os autores André Turtelli e o Renato Quirino. Confira aqui!

Capa HQ Aokigahara

Título original: Aokigahara
Autor: André Turtelli e Renato Quirino
Editora:
Número de páginas: 32
Ano: 2015
Gênero: HQ
NotaEstrelaEstrelaEstrelaEstrelaEstrela


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Isabela Zamboni


Resenha: A Menina do Vale – Bel Pesce

“Descobri” quem era Bel Pesce em uma aula na pós-graduação. O professor enaltecia a garota que, através de um financiamento via crowdfunding, conseguiu cerca de R$ 800.000 para começar um projeto empreendedor. Por esse motivo, Bel é um dos maiores cases de crowdfunding do Brasil. Incrível, né?

Fiquei empolgada com a história de sucesso de alguém tão jovem – na época, ela tinha apenas 19 anos – e fui procurar o livro para aprender algo com a “menina do vale”.

Com o dinheiro arrecadado por meio do financiamento coletivo, Bel pôde empreender no Vale do Silício, um dos “redutos tecnológicos” mais famosos do mundo. Lá, a garota criou empresas e fez parte do quadro de colaboradores de outras, como o Google.

Resenha: A Menina do Vale - Bel Pesce

FOTO: Reprodução

Cheio de ensinamentos fracos e superficiais, o livro é uma autoajuda disfarçada de dicas para novos empreendedores. As ideias de Bel são boas, mas a forma rasa – rasa, não objetiva – como ela passa não faz a menor diferença.

“Acredite nos seus sonhos e trabalhe por eles”, “Se você colocar o sua mente e seu coração, dará certo” = MIMIMI. Quero dados, quero estatísticas, quero “quebrei a cara fazendo TAL coisa, o resultado foi ESSE e resolvi DESSA forma”. Gostaria de saber mais sobre os problemas e as dificuldades que ela passou empreendendo no famoso Silicon Valley. Mas, é claro, ninguém “entrega o ouro” assim, né?

Basicamente, o  livro resume-se aos seguintes ensinamentos:

  1. Não se preocupe com a sua idade
  2. Descubra quem te inspira e por quê
  3. Compartilhe as suas dificuldades
  4. Seja sempre humilde
  5. Equipe, Equipe, Equipe
  6. O verdadeiro valor de um plano de negócios
  7. Seja acelerado, mas tenha paciência
  8. Acostume-se a aprender com seus erros
  9. Encontre as suas paixões
  10. Impressione o mundo com a sua iniciativa

Faltou profundidade, questionamento… Tirar o leitor do lugar-comum, mexer com a cabeça dele, sabe? Parece que tudo é fácil e lindo. Basta um café, um networking com a pessoa certa e voilà: você está empreendendo (e ganhando muita grana)! Acabei ficando com a impressão de que ela simplesmente não tem nada para passar. Seria melhor não ter perdido tempo escrevendo.

Eu entendo as dificuldades de empreender e sei que, no Brasil, o buraco é ainda mais embaixo. Mas essa autoajuda água-com-açúcar escrita pela Bel não colou comigo. Não indico.

Alguém já leu? Discordam? Deixem suas opiniões nos comentários!

LEIA TAMBÉM

Capa do livro A Menina do ValeTítulo original: A Menina do Vale
Autor: Bel Pesce
Editora: Casa da Palavra
Número de páginas: 160
Ano: 2012
Gênero: Administração
Nota1 estrelaestrela vaziaestrela vaziaestrela vaziaestrela vazia


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Melissa Marques


Resenha: Paperboy – Pete Dexter

Quando li a sinopse desse livro, Paperboy, algo me chamou a atenção. Quando compararam-no com A Sangue Frio, do Capote, fiquei ainda mais interessada. O gênero policial, misturado com o fato de que o livro retrata um pouco do universo jornalístico da década de 60, foi um grande diferencial para me interessar pela leitura.

Paperboy conta a história dos irmãos Jack e Ward James, que investigam o caso do assassinato de um xerife local por Hillary Van Wetter, condenado à pena de morte. Depois de receber uma carta de uma mulher chamada Charlotte Bless, que afirmava a inocência de Hillary, Ward James, jornalista em ascensão, ao lado do parceiro Yardley Acheman, resolve investigar se Van Wetter foi realmente o culpado pelo crime.

Resenha: Paperboy - Pete Dexter

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à la Carte

A trama se passa no sul dos Estados Unidos no final dos anos 60, período conturbado e cheio de transformações sociais. Jack, de apenas 20 anos, largou a universidade e voltou para casa para trabalhar como motorista do caminhão na empresa do pai. Percebemos toda a história pelo seu ponto de vista.

Vi muita gente reclamando da falta de capítulos, mas isso na verdade não incomoda. A leitura flui, o texto é gostoso de ler e a linguagem é pouco rebuscada. Por mais de 200 páginas, ficamos envolvidos em uma narrativa tensa, misteriosa e com personagens bem construídos.

Charlotte é uma personalidade única e envolvente, uma mulher “mais velha” que se sente atraída por homens na prisão, sempre tão longe e intocáveis. Yardley é um jornalista arrogante e prepotente, buscando a todo custo a fama e o sucesso, pouco se importando com a ética jornalística. W.W. James, o pai dos irmãos protagonistas, é um velho jornalista cansado que sente falta da ex-mulher e tenta, a todo custo, continuar com a boa reputação de seu jornal local. Jack, o principal, é um menino confuso e tranquilo, sempre tentando ajudar o irmão Ward, um homem misterioso, quieto e com uma inteligência e perseverança fora do comum.

A narrativa é densa e parte do real para o surreal. Alguns personagens da família Van Wetter são bizarros e perturbadores, trazendo algumas pitadas de emoção para a história. Algumas temáticas que estavam em voga na década de 60 também são introduzidas sutilmente, como o preconceito racial, a discriminação contra os homossexuais, a liberdade de expressão, a libertação sexual, entre outras.

Resenha: Paperboy

Foto: Isabela Zamboni/Resenhas à La Carte

Outro ponto que me agradou muito foram as descrições de personagens, principalmente pelos sentidos de Jack, principalmente o olfato. Dava para sentir o cheiro das pessoas, imaginar sua aparência e até sentir o gosto da cerveja quente e insossa dos dias de muito calor (e tristeza) vividos pelo personagem. É tudo muito sensitivo: conseguimos entrar na pele do jovem nadador que largou a universidade e ainda se incomodar, tanto quanto ele, com tantas situações inesperadas e reviravoltas da investigação.

A única coisa que me incomodou foi o final: muito triste, pouco original. Mas nada que tire o mérito do resto do livro.

*Obs: Assisti ao filme também. Nem tenho vontade de comentar, porque foi tão ruim e com um roteiro tão falho que nem é possível comparar.

*Esse produto foi um brinde, porém, as informações contidas nesse post expressam as ideias da autora

LEIA TAMBÉM

Resenha: Paperboy- Pete Dexter

Título original: Paperboy
Autor: Pete Dexter
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 336
Ano: 2013
Gênero: Romance policial
Nota1 estrela1 estrela1 estrela1 estrelaestrela vazia


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Escrito por:

Isabela Zamboni


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